Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 02/09/2020
A série espanhola ‘’Elite’’ aborda em um episódio a emigração. Em meio a isso, Nadia, uma adolescente de 18 anos, deixa seu país, Espanha, para estudar nos Estados Unidos. Embora tal narrativa seja ficcional, a situação não se destoa da realidade do Brasil, visto que cresce o número de pessoas que deixam o país para estudar e trabalhar. Por sua vez, o baixo investimento e a inadimplência governamental corroboram para problemática.
A primórdio, vale ressaltar que a taxa de emigração aumenta a cada ano. Segundo os dados divulgados da Receita Federal, somente em 2019, mais de 22.000 pessoas declararam a saída do país. Nesse contexto, entende-se que os brasileiros buscam ofertas de trabalho ou uma remuneração melhor, uma vez que o mercado de trabalho no Brasil tem poucas ofertas. Sob esse viés, é notório a demanda de políticas públicas, com o fito de evitar a fuga de cérebros. Sendo assim, é preciso que o Governo salve a área do trabalho.
Outrossim, convém mencionar que o descaso do Poder Público agrava o impasse. Conforme prevê o artigo 218 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento científico. Entretanto, percebe-se que esse dever não é efetuado, dado que nos últimos anos o Governo cortou os recursos. Paralelamente, o economista britânico Arthur Lewis declara que, investir na educação não é despesa, é um investimento com retorno, isto é, os incentivos financeiros geram o desenvolvimento científico do país. Dessa forma, é necessário que o Poder Estatal invista na área da ciência.
Portanto, é mister que o Poder Público tome providências capazes de atenuar à fuga de cérebros. Nessa perspectiva, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Ciências, Tecnologia e Inovação, órgão responsável por estimular a inovação do país, criar bolsas de pesquisas para profissionais, por meio de verbas da União, com o fito de mudar o paradigma social. Dessarte, espera-se, com essa medida, evitar a emigração dos brasileiros e que casos iguais de Nadia fiquem apenas na ficção.