Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/09/2020

No período Joanino, quando a família real portuguesa veio ao Brasil, Dom João VI se preocupou em trazer da Europa cientistas e profissionais renomados para construir faculdades com um excelente ensino. No entanto, dois séculos depois, essa característica de importar conhecimento e tecnologia ainda é presente na pátria brasileira, o que gera uma falta de valorização à produção nacional e à migração de pessoas qualificadas para outros países. Nesse sentido, percebe-se a necessidade de analisar as causa e consequências dessa problemática.

Em primeira análise, há uma drástica redução de investimentos na área de pesquisas científicas no Brasil. Nesse viés, observa-se a indiferença dos governantes em relação à valorização da produção de tecnologia nacional, visto que há uma preferência à que já está pronta. Ademais, a redução de investimentos na educação superior limita as pesquisas científicas brasileiras. Dessa forma, a desvalorização da ciência no país faz com que as pessoas  queiram morar fora e migrar para um lugar onde seu trabalho seja bem remunerado. De acordo com Receita Federal do Brasil e o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, em 2019, a procura por visto americano cresceu entre os trabalhadores qualificados. Assim, fica claro que a falta de reconhecimento da ciência brasileira corrobora para a intensificação dessa fuga.

Por conseguinte, o Brasil fica atrás de outras potências em relação à produção de novas modernizações. A princípio, na 3ª Revolução Industrial ficou caraterizado o fato de que a forma de garantir o desenvolvimento do país é pela capacidade de produzir tecnologia e, assim, evitar crises tanto econômicas quanto sociais. A partir disso, devido à crescente fuga de cérebros, a pátria brasileira se torna mais suscetível aos possíveis transtornos supracitados e a uma maior dificuldade em encontrar uma saída para tal. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o bem estar de uma população é garantido pelo seu Estado. Todavia, percebe-se que isso não ocorre no Brasil, visto que muitos jovens saem do país em busca de melhores oportunidades e a própria nação torna-se cada vez menos capaz de aumentar o seu desenvolvimento tecnológico, com essa gradativa evasão.

Fica evidente, portanto, a necessidade de mitigar esse problema. Logo, cabe ao Poder Legislativo reforçar as leis de incentivo à ciência e da valorização do trabalho do pesquisador, assegurando a prática científica e proibindo que governantes interfiram no destino de recursos destinados às universidades públicas - principais polos tecnológicos do país -. Para que, os jovens cientistas se sintam confortáveis em praticar ciência no próprio país e com o devido reconhecimento. Dessa forma, o Brasil não precisará recorrer a outros países para adquirir conhecimentos e tecnologia.