Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 16/10/2020

Ao longo do processo de formação da sociedade, áreas da inteligência humana, como as habilidades de pesquisa apresentadas por James Watt no campo da física e aplicadas na industrialização inglesa, foram fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas. Paralelamente, o mundo torna-se cada vez mas globalizado, e umas das consequências dessa integração foi o deslocamento internacional de indivíduos que destacam-se em tais áreas do conhecimento. Sendo assim, essa problemática manifesta-se no Brasil, onde profissionais promissores vêm emigrando em busca de condições melhores de trabalho. Todavia, é urgente que essa migração, conhecida como “fuga de cérebros”, seja combatida por meio da valorização da ciência em território nacional.

Primeiramente, é ímpar ressaltar que o desenvolvimento da tecnologia vem sendo o caminho para o desenvolvimento econômico e social de uma série de países pelo globo. Todavia, em nações como a Coreia do Sul e Japão, destaques no investimento científico, cerca de 3,5 % do PIB (Produto Interno Bruto) é destinado para áreas de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, segundo dados da revista “exame”. No Brasil, em contrapartida, a parcela do PIB reservada para o setor foi de cerca de 0,3% em 2016, de acordo com o IBGE. Assim, a falta de respaldo econômico por parte do setor público mostra-se como uma das principais entraves que impulsiona profissionais a buscarem melhores condições para realizarem seus ofícios, migrando para países desenvolvidos.

Além disso, a história brasileira foi profundamente marcada pelo “status” de colônia atribuído ao país por mais de 300 anos, durante o qual foi predominantemente marcado por atividades agroexportadoras. Por conta disso, o país apresentou uma industrialização tardia e, consequentemente, defasagens estruturais ao passar pela Terceira Revolução Industrial, pautada primordialmente na ciência, que hodiernamente enfrenta os baixos orçamentos governamentais. Entretanto, o Brasil ainda pode reverter esse cenário através do planejamento, de modo que os profissionais afetados por essas defasagens sejam incentivados a permanecerem no país, contribuindo para seu desenvolvimento.

Logo, faz-se necessário a adequação dos órgãos públicos e medidas interventivas com o objetivo de evitar a fuga de cérebros através da valorização dos programas científicos nacionais. Portanto, os cidadãos brasileiros que trabalham na área, em universidades federais ou estudais,  devem receber bolsas integrais com auxílios de moradia e alimentação providos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, para que possam dedicar-se integralmente ao âmbito da pesquisa e desenvolvimento. Deste modo, o país poderá se voltar para a capacitação de seus habitantes, os quais contribuirão para seu desenvolvimento, assim como as descobertas de Watt contribuíram para o ápice industrial inglês.