Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 15/09/2020

É notório que combater o exponencial crescimento da fuga de cérebros - uma migração definitiva de pesquisadores para outros lugares do mundo - tem sido um grande desafio no Brasil. De fato, a diáspora da comunidade científica é problemática, pois impede que o país se desenvolva e acompanhe a modernização do mercado internacional. Por isso, é essencial analisar como a carência de investimento governamental e o avanço do movimento anticiência se encaixam nesse complexo problema.

Em princípio, a carência de verba no setor científico é um imenso obstáculo. Desde 2014, início da crise financeira que o país enfrenta, a ciência vem sofrendo contenção nos investimentos governamentais. Esse cenário impede que os campos de pesquisa se desenvolvam, na medida em que muitos indivíduos dependem de bolsas, oferecidas por órgãos públicos, para se manterem e custearem os projetos. Dessa forma, percebe-se que os cortes de gastos nos polos de tecnologia favorecem a mobilidade dos pesquisadores para o exterior, especificamente, em locais onde o saber científico é melhor remunerado.

Ademais, o levante contra o desenvolvimento científico é outro fator desfavorável à superação da problemática. Embora os avanços da ciência beneficiem o crescimento econômico e a melhoria na qualidade de vida, o movimento anticiência, antagonicamente, propícia uma repressão popular à tais avanços, de modo, a colocar em dúvida a credibilidade do pesquisador. Isso ocorre, por exemplo, quando o movimento antivacinação usa de argumentos falaciosos para persuadir pessoas a rejeitarem um importante produto do esforço científico, a vacina. Logo, nota-se que a ciência, na modernidade, passa por uma onda de desvaloriza que precisa ser combatida.

Dessa maneira, observa-se que o Brasil enfrenta desafios para combater a fuga de cérebros. A fim de mudar esse cenário, é necessário que o Poder Público, juntamente com o CNPq ( Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) aumentem, por meio de um direcionamento das verbas públicas, o investimento nos programas acadêmicos de pesquisa, para que seja possível oferecer melhores condições de trabalho e a permanência dos cientistas no país. Além disso, é essencial que a Imprensa Brasileira valorize a imagem e a força de trabalho desses profissionais, para combater pacificamente a mentalidade anticientífica na sociedade. Posto isso, será possível incentivar a inovação científica e o talento dos futuros pesquisadores.