Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 13/09/2020
A partir da segunda metade do século XX, a Terceira Revolução Industrial gerou uma série de descobertas e evoluções técnico-científicas. A demanda por profissionais com alto grau de conhecimento técnico foi crucial nesse processo e perdura até a atualidade. Todavia, é observada no Brasil a emigração destes para outros países, ocasionada pela carência de investimentos em ciência e tecnologia, bem como a falta de oportunidades de trabalho, ocasionando prejuízos ao desenvolvimento do país. Dessa forma, é evidente a necessidade de se buscar soluções para a problemática em questão.
O fenômeno da “fuga de cérebros” observado no Brasil nada mais é do que consequência de um ambiente desfavorável a ciência. Como exemplo disso, podemos citar o corte e congelamento de inúmeras bolsas de incentivo ao desenvolvimento científico fornecidas as Universidades, inviabilizando o progresso de pesquisas. Assim, muitos pesquisadores veem em outros países a chance de desenvolver seus trabalhos, a obtenção de remuneração adequada, reconhecimento de carreira, dentre outros. Em decorrência desse problema, o Brasil sofre prejuízos no que diz respeito a desenvolvimento tecnológico, uma vez que pesquisas conduzidas por brasileiros que decidem sair do país geram produtos e serviços inovadores que serão patenteados pelos países que as financiaram. Assim, países ‘receptores’, como os Estados Unidos, passam a deter um verdadeiro monopólio em diversos segmentos tecnológicos.
Outro impasse que contribui para a emigração em massa de cientistas é ainda o desemprego enfrentado fora do ambiente acadêmico. É claro que o Brasil ainda carece de empresas voltadas para inovação científica, o que reduz drasticamente a oferta de vagas. O cenário em países de Primeiro Mundo, entretanto, é diferente. Como há de fato um maior investimento em desenvolvimento tecnológico, o número de empresas e indústrias do ramo é maior, muitas vezes oferecendo oportunidades a estudantes dessas áreas através das próprias Universidades.
Considerando os aspectos mencionados, é evidente a necessidade de elaboração de medidas para reverter essa situação. O Estado deve investir cada vez mais em pesquisas, através do fornecimento de bolsas de incentivo a ciência e tecnologia, de modo que ofereça condições de trabalho e remuneração adequadas aos cientistas brasileiros. É necessário ainda, estreitar relações entre Universidades e empresas já consolidadas, através de parcerias que facilitem a inserção de egressos no mercado de trabalho. Assim, será possível manter estes profissionais no país, que contribuirão de forma ativa com o desenvolvimento do Brasil.