Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/10/2020
Ao atravessar a história pela sociedade do açúcar, pelo ciclo do ouro e a economia cafeeira do século XX, percebe-se que a terra do Pau Brasil carrega em seu DNA, desde os primórdios, o extrativismo em detrimento à técnica. Hodiernamente, o país segue focado em exportação em vez de transformação, à medida que torna-se um solo infértil ao desvalorizar a produção de conhecimento. Consequentemente, ocorre uma fuga de cérebros, fato que precisa ser combatido em prol do seu avanço.
Sob esse viés, este Estado é cabalmente exportador de commodities e importador de tecnologia. De acordo com Eduardo Galeano, escritor uruguaio, “o ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e indústrias na Inglaterra”. Nesse sentido, é factível a exaustiva exploração deste território, como se fossem inesgotáveis os seus recursos. Desse modo, torna-se um terreno inapropriado para quem produz ciência que, paradoxalmente, migra para países que investem em tecnologia e exportam-na, supervalorizada, para cá.
Paralelamente, diante de tal desestímulo ao mercado de trabalho, ocorre a diáspora dos produtores de conhecimento. Segundo a OCDE, em países como Israel, EUA e Coréia do Sul, 60% dos pesquisadores estão alocados em empresas. Isso demonstra a valorização da produção de ciência acima do extrativismo impensado, pois sua rentabilidade é exorbitantemente maior. Com efeito, o anacronismo produtivo brasileiro é um convite à fuga.
Com base no exposto, torna-se patente a necessidade de uma alteração na mentalidade desta pátria. Portanto, para que haja maior valorização da tecnologia que ao modo “plantation” de produzir, cabe ao Ministério da Ciência e Desenvolvimento incentivar a pesquisa por meio do aumento na quantidade e qualidade (valor) das bolsas do Centro Nacional de Pesquisas (CNPq). Além disso, urge que sejam firmadas parcerias público-privadas de modo a garantir mercado de trabalho ao pesquisador. Assim, a nação tornar-se-á atrativa à produção científica e, gradativamente, valorizará mais seus recursos, não só naturais, mas também humanos.