Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/09/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos, o direito de serem livres, serem tratados com dignidade e terem direitos iguais. Todavia, ao relacionar os direitos humanos com os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil, verifica-se que o direito à condições justas e favoráveis de trabalho é deficitária. Nesse âmbito, para que seja alcançada uma sociedade integrada, faz-se necessário não só incentivar como também aumentar os recursos para as pesquisas científicas.
É importante pontuar, de início, que a educação é o fator essencial no desenvolvimento de um país. Nessa perspectiva, segundo estimativas do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil ocupa a nona posição na economia mundial, logo, seria racional acreditar que as condições de trabalho fossem mais favoráveis e justas na sociedade científica. Contudo, a realidade é justamente oposto e o resultado é claramente refletido nas pesquisas realizadas pelo jornal BBC Brasil, na qual os índices de migração de cientistas com talentos para outras instituições estrangeiras vem crescendo. Diante do exposto, pesquisadores como a neurocientista Suzane Herculano-Houzel afirma, “ter-se cansado do ambiente que incentiva a mediocridade”, como justificação para a migração, com isso, é importante salientar que a falta de incentivo do Estado é um propulsor desse movimento.
Convém ressaltar, ainda, que segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida”, vivida no século XXI. Diante de tal contexto, às relações humanas são mais frágeis, fugazes e pouco duradouras, com isso, as pessoas e as instituições são prejudicadas. Dessa forma, a fuga de cérebros do Brasil é desencadeada principalmente por falta de recursos suficientes para a sociedade cientifica, uma vez que segundo a Suzana a miséria é tão elevada no país que já precisou financiar algumas pesquisas com o seu próprio dinheiro. Nesse sentido, mudanças profundas são urgentes, uma vez que sem ciência de ponta não há saída para a crise que assola a sociedade.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de uma sociedade melhor. Dessa maneira, é inadiável que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em parceria com o Estado combata a carência desse setor, por meio não só de projetos que incentive pesquisadores como também aumente os investimentos científicos, a fim de proporcionar oportunidades favoráveis e justas aos cientistas brasileiros diminuindo ,assim, a fuga de cérebros. Desse modo, a sociedade será capaz de promover a igualdade de direitos e a cidadania.