Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 27/10/2020
Galileu Galilei foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da ciência, por meio de análises que foram capazes de comprovar o modelo heliocêntrico. Desde então, outras pessoas trouxeram inúmeras inovações, como as vacinas e a internet. Contudo, esses indivíduos, capacitados para avançar com o conhecimento técnico, têm encontrado dificuldades em realizar os seus trabalhos e alguns optam por se mudar do país. Sob tal ótica, o Brasil possui graves problemas em combater a fuga de cérebros, devido ao seu baixo investimento em estrutura e à desvalorização dos profissionais dessa área.
Inicialmente, as más condições de trabalho nas universidades públicas e em laboratórios favorece a procura por lugares com uma melhor infraestrutura. De acordo com o artigo 218 da Constituição federal, é dever do Estado incentivar a pesquisa e o desenvolvimento científico. Entretanto, não é isso que vem acontecendo, visto que os mestres e doutores das mais variadas esferas não recebem os recursos necessários para a realização de seus projetos. Por conseguinte, a falta de bons salários, equipamentos de qualidade e espaços adequados corrobora para o desânimo desse grupo e, consequentemente, ocorre a procura por propostas de nações dispostas a darem os mecanismos necessários para a inovação tecnológica e crescimento pessoal.
Outrossim, a falta de reconhecimento sobre a importância do papel dos cientistas colabora para a sua saída do país. Em consonância com Pierre Bourdieu, os indivíduos têm as suas posições na sociedade definidas pelos diferentes tipos de capitais que possuem, dentre os quais está o simbólico, responsável por garantir o prestígio a um grupo social. Diante disso, a classe científica tem o enaltecimento merecido diante da população e dos políticos, porquanto, geralmente, não se percebe a sua importância para o crescimento do país, que vai desde a criação de “smartphones” até a de remédios que salvam vidas. Nesse sentido, a baixa valorização desses profissionais, no seu próprio país, incentiva-os a irem à lugares em que são mais bem-recebidos e apreciados.
É mister, portanto, tomar medidas que ajudem a diminuir a diáspora de cérebros do Brasil e tragam-lhes melhores condições, como prevê a ‘‘Constituição Cidadã" de 1988. Logo, cabe ao Poder Legislativo federal gerar condições para um maior investimento no setor tecnológico, por meio da criação de uma lei que aumente o valor mínimo da verba que deve ser direcionada para projetos e pesquisas científicas, o qual deve abarcar também o investimento em propagandas em emissoras de televisão sobre a importância desses trabalhos. Espera-se, assim, promover melhores condições para os estudos dos cientistas e melhorar a visão da população sobre o valor desses profissionais.