Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/10/2020
A Constituição Federal de 1988, no Artigo sexto, assegura que todos os cidadãos têm direito ao trabalho e à educação de qualidade, de modo que lhe permita viver bem e com dignidade. Entretanto, no cenário brasileiro hodierno, a questão da fuga de cérebros no Brasil evidencia que o preceito legal não é cumprido em sua totalidade, visto que há um imbróglio que os impede de permanecer no país em questão. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e o despreparo social provocam e agravam esta problemática para solucioná-la.
Observa-se, inicialmente, que a negligencia estatal é a principal responsável pelo problema. Isso ocorre porque, desde a vinda da Corte para o Brasil, no século XIX, houve um investimento instantâneo na área das ciências para que estudassem a cidade do Rio de Janeiro e a desenvolvessem. No entanto, na contemporaneidade há um retrocesso social no que diz respeito aos investimentos, posto que o Estado não dispõe de recursos que possibilitem os indivíduos de desenvolver a ciência de ponta, o que evidencia a violação do “contrato social” descrito pelo filósofo John Lock, que se trata do Estado não garantir que os cidadãos gozem de seus direitos, como o da educação de qualidade que desenvolva projetos científicos, e do trabalho fornecido para esses cientistas. Como consequência, há a fuga de cérebros para países que investem nessa área, haja vista que perdem a esperança de conseguirem isso no país de origem.
Em segunda instância, é imperativo pontuar que o despreparo social também contribui para a manutenção desse impasse. Isso decorre do fato de que a população tende a ser incapaz de tolerar o que é diferente, como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman. Nesse sentido, há uma desvalorização de profissionais no campo da ciência decorrente da baixa crença de sua importância devido ao anacronismo social que desestimula a inovação por estarem acomodados a profissões que não necessitam de tantos recursos financeiros e tecnológicos. Em decorrência disso, há uma futura frustração de profissionais pela falta de retorno financeiro, investimentos e reconhecimento de seu trabalho, o que leva esses indivíduos a emigração para países que os valorizem.
É indubitável, portanto, que no Brasil se repense os desafios no combate à fuga de cérebros. Por isso, cabe ao Poder Executivo investir na ciência, a começar pela educação, por meio da disponibilização de recursos que promovam o desenvolvimento dessa área nas universidades. E mediante a mídia falar da valorização da ciência e dos cientistas para o progresso de uma nação. Desse modo, a fim de promover o desenvolvimento e valorização, mas também romper preconceitos errôneos de que a ciência é um “luxo”, e evitar a fuga de cérebros no Brasil.