Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 16/10/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade contemporânea e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, pode-se observar aspectos semelhantes no que tange à questão da migração de grandes mentes brasileiras para outros países. Nesse contexto, torna-se evidente como causa a insuficiência legislativa, bem como a má conduta midiática.

Decerto, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, a insuficiência legislativa. Segundo Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Nessa perspectiva, pode-se se observar no Brasil contemporâneo, a falta de políticas afirmativas que deveriam promover debates que elevem o nível de informação -sobre as consequências no desenvolvimento no Brasil graças a perda de mentes talentosas - da população, para evitar a consolidação do problema.

Ademais, outro ponto relevante sobre essa temática, é a má conduta midiática. Sob essa lógica, o imperativo categórica de Pierre Bourdieu, prega que o que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. No entanto, no que se refere aos danos gerados pela migração de cérebros, há uma lacuna no dever moral da mídia quanto a prática de conscientizar a nação de forma realista.

Assim sendo, é notório a dificuldade de formar uma sociedade mais ética. A solução dessa problemática passa pela compreensão de que a formação educacional deve ser prioridade do estado. Para isso, o Governo Federal em parceria ao Ministério da Cidadania -tendo o Ministério da Educação à frente- deve desenvolver um Programa Nacional que proponha reeducar o corpo social mais jovem, por meio de aulas e palestra que ensinem a apologia ao respeito, para que se crie um sentimento de responsabilidade que garanta à dignidade ao próximo.