Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 03/11/2020
É fato que a ciência financiada pela iniciativa pública agoniza no Brasil, principalmente devido ao baixo incentivo econômico do Estado, que, negligente à pesquisa e inovação, prefere investir em áreas menos prioritárias ao país, como no fundo eleitoral, que acumula dois bilhões de reais, que poderiam ser aplicados na educação e em estudos em progresso. No entanto, como o capital destinado à ciência é insuficiente, os profissionais qualificados, que demandam, muitas vezes, verba pública em sua formação, acabam por deixar o país, indo em direção a outros no qual seu trabalho será valorizado, caracterizando o fenômeno da fuga de cérebros. Assim, verifica-se a necessidade de se investir no desenvolvimento de estudos nas universidades, de modo a evitar a saída de cientistas e acelerar o desenvolvimento nacional.
Em primeira análise, percebe-se que a gestão governamental é omissa no combate à fuga de cérebros no país, como notado pelos cortes de 14% em 2019 no CNPq, órgão responsável por grande parte da inovação científica no país. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano, se não obtiver uma educação adequada, tende a manter-se no estado de minoridade, no qual é incapaz de raciocinar e interpretar dados de modo a pensar por si. Nota-se, no Brasil, que grande parte dos políticos deseja manter a população nessa situação, de modo a manter sua dominação e privilégios diante de uma população, que sem educação, não questiona e aceita decisões naturalmente. Assim, para manter a democracia e a capacidade de raciocínio da população, a ciência, grande força contestadora de dominações e inverdades ideológicas, deve ser reconhecida e receber investimentos.
Ademais, o desenvolvimento científico é capaz de promover as condições econômicas e sociais de uma nação, sendo, portanto, essencial incentivá-lo. No livro ‘‘Fogo Morto’’, de José Lins do Rego, é representado o engenho Santa Fé, decadente e ultrapassado, pois não investiu na tecnologia, e, por consequência, acaba por falir.Na realidade, o Brasil, ao não investir em sua base científica, toma os mesmos rumos prenunciados pela ficção, destinado a manter-se como um país agroexportador, dependente do exterior para comprar inovações e produtos finos, além de perder seus pesquisadores, que quando incentivados pelo meio, são capazes de inovar e mudar as condições, o que é desperdiçado no Brasil.
Portanto, para solucionar tal problemática e manter os cientistas no país, urge que o Ministério da Ciência e Tecnologia aumente seu aporte às pesquisas executadas nas universidades, o que incentivaria a continuidade das descobertas, tão necessárias à humanidade e ao prestígio nacional, a fim de garantir uma sociedade democrática, igual e com qualidade de vida, proporcionada pela ciência.