Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/11/2020
Segundo a lei da inércia de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da lei da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne a diáspora de profissionais qualificados, os chamados cérebros, para fora do Brasil, que segue sem uma intervenção que resolva esse problema. Nesse contexto, percebe-se a configuração de uma grave problemática de contornos específicos, em virtude da escassez de investimentos e também da falta de conhecimento da população sobre o assunto.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de de investimentos por parte do Estado é um fato determinante para a persistência do problema. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explicam filósofos como Marx. Assim, para serem resolvidos problemas no contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento na questão do combate à fuga de cérebros do Brasil, que tem sido negligenciado, o que torna sua solução mais difícil de ser alcançada. Por conseguinte, tem-se a dependência - em termos de ciência, tecnologias, e culturas - do Brasil em outros países, que diferentemente da república brasileira, valorizam e reconhecem esses especialistas.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de conhecimento da sociedade brasileira, que não entende a real necessidade de se investir e reconhecer esses profissionais, que ano após ano, aumenta-se, consideravelmente, a quantidade que vão para o exterior em busca desse reconhecimento. Desse modo, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria a respeito da fuga dos cérebros do Brasil, sua visão torna-se limitada, o que torna um grande desafio a resolução dessa problemática.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, o MEC, em conjunto com o Poder Público, devem promover maiores investimentos à bolsas de pesquisas de entidades como o CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a fim de estimular produção científica no país. Além disso, em parceria com as mídias de grande acesso, tais agentes devem divulgar as pesquisas já produzidas nas redes sociais, através de “hash-tags” e vídeos, para que a população reconheça a importância da produção científica e dos cérebros, e saiba como ela pode promover a melhoria em setores da ciência, tecnologia e cultura no território brasileiro.