Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 26/11/2020
No decorrer da Segunda Guerra Mundial, devido à perseguição e às ameaças sofridas em seu território de origem, mentes brilhantes como Albert Einstein e Hannah Arendt migraram em direção aos Estados Unidos da América. Hodiernamente, percebe-se, no Brasil, situação semelhante à vivenciada pela Alemanha Nazista, haja vista a crescente saída de cérebros talentosos do país. Nesse contexto, cabe destacar a desvalorização científica no país e a insuficiência de investimentos nessa área como propulsores da problemática.
É possível afirmar, de início, que o escasso incentivo financeiro no ramo científico brasileiro é um dos principais responsáveis pela diáspora de cérebros brasileiros. Segundo o artigo 3 da Constituição Federal, é objetivo da República Federativa do Brasil garantir o desenvolvimento nacional - o que inclui o desenvolvimento técnico e científico. Esse propósito, no entanto, não é alcançado, tendo em vista os sucessivos cortes de verbas sofridos pelas universidades federais brasileiras - importantes centros de pesquisa e berços de profissionais renomados em suas áreas -, fato que impossibilita a existência de infraestrutura adequada nesses locais e dificulta o trabalho da comunidade científica presente no país. Consequência disso é a fuga de doutores e mestrandos brasileiros em direção a países que ofereçam investimentos e condições propícias à atividade científica, o que provoca a interrupção de pesquisas e trabalhos que, certamente, seriam de interesse do progresso científico nacional.
Ademais, cabe destacar a dependência de tecnologia e recursos provenientes do exterior como outro fator relevante para o êxodo de pesquisadores brasileiros. Com o advento da Terceira Revolução Industrial, a existência de polos tecnológicos tornou-se pré-requisito para o avanço científico. No entanto, a inexistência de um ramo industrial voltado para a produção acadêmica nacional inviabiliza a produção de equipamentos e tecnologias de ponta - condições necessárias para que os pesquisadores brasileiros possam realizar trabalhos de notoriedade. Dessa forma, dependentes da importação de ferramentas estrangeiras, os cientistas tupiniquins sentem-se desamparados em sua área e passam a encarar com bons olhos a ida para uma nação desenvolvida e com produção autossuficiente no setor.
Depreende-se, portanto, que a escassez de investimentos e a dependência tecnológica estrangeira são fatores preponderantes na escolha de parte da mão de obra qualificada brasileira em deixar o país em busca de melhores condições para atuação.