Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 29/10/2020
O iluminismo, movimento que se desenvolveu na Europa nos séculos XVII e XVIII, trouxe consigo a ideia de que sobre a luz do conhecimento as civilizações humanas poderiam se desenvolver plenamente. Atualmente, as grandes economias globais, Estados Unidos e China, tem como principal alicerce o fomento à ciência. Na contramão do desenvolvimento guiado pelo apreço a razão, o Brasil, tem como principal desafio contra a emigração de profissionais qualificados a falta de incentivo a pesquisa nas universidades.
Em primeiro lugar, é imprescindível salientar que a falta de investimentos financeiros é um dos principais fatores que levam pesquisadores a saírem do Brasil. Para exemplificar, na década de 1960 o brasileiro Dr. Sérgio Henrique, por falta de equipamentos no laboratórios da USP, levou para a Irlanda sua pesquisa sobre os efeitos hipotensivos do veneno de uma espécie de jararaca. Tal pesquisa, posteriormente, possibilitou o desenvolvimento do captopril por uma empresa americana, que atualmente lucra milhões de dólares com esse fármaco. Nesse sentido, urge o investimento em pesquisas e o fomento para que os pesquisadores se mantenham no país de forma que o conhecimento produzido pelos brasileiros se transforme em frutos para o Brasil.
Em segundo plano, é imperativo notar que a emigração de capital intelectual no país leva a um imenso impacto econômico negativo. Segundo a OCDE, o Brasil é o terceiro país que mais investe em educação em porcentagem do PIB, ficando atrás somente do México e da Nova Zelândia. Porém, os índices que mostram a quantidade de pesquisas publicadas em revistas importantes mostram o país nas últimas colocações. Ou seja, os investimentos na educação não estão sendo transformados em produção de conhecimento efetivamente. Dessa forma, o ganho econômico, esperado com a formação de profissionais mais capacitados e do desenvolvimento de novas soluções, é aproveitado pelos países que investem em pesquisas e recebem esses profissionais.
Depreende-se, portanto, o aumento dos investimentos em ciência no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação, criar um programa de fomento a pesquisas usando o sistemas de concessões de bolsas de auxílio já existente pela CAPES. Além disso, o MEC deverá buscar junto ao poder legislativo, por meio de propostas de lei, o aumento das verbas destinas a infraestrutura dos laboratórios das universidades públicas de forma a possibilitar o desenvolvimento de pesquisa de ponta no Brasil. Quiçá, assim tal hiato se resolverá e um país que que tenha suas bases firmemente apoiadas no conhecimento científico seja alcançado a longo prazo.