Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/10/2020

Diferentemente das colônias espanholas, que já possuíam universidades desde o século XVI, o Brasil só obteve as suas primeiras escolas superiores com a chegada da família real portuguesa em 1808, dependendo anteriormente dos profissionais que iam estudar em Coimbra. Partindo do passado para o presente, o país continua desvalorizando a sua ciência ao não oferecer bolsas que garantam a subsistência do pesquisador e nem um plano profissional para estes, o que os faz preferir oportunidades em outros países, gerando o fenômeno conhecido como a fuga de cérebros do Brasil.

Uma vez que o cidadão sonhe em ser cientista no Brasil, ele encontrará grandes desafio pela frente, pois, além da falta de estrutura física de muitas universidades pelo país, as bolsas de mestrado e doutorado tiveram seus valores ajustados apenas pela inflação até 2013, apesar das crises econômicas e aumento do custo de vida que o se tem passado. Quando, em 2020, foi decretado o valor do salário mínimo brasileiro em mil e quarenta e cinco reais, um doutorando, segundo o Ministério da Educação, receberá no máximo 2200 reais, ou seja, pouco mais de dois salários mínimos, mesmo fazendo parte da mão de obra mais especializada do país. Para piorar a situação, a política de austeridade do atual governo fez universidades em toda a nação cortarem auxílios e fez do Brasil, segundo a revista Galileu, o país que investe menos em ciência do que Ruanda, assim transformando o sonho de ser cientista irrealizável para milhões de cidadãos que dependem das bolsas para se manter financeiramente.

Concomitante à insuficiência dos auxílios financeiros, há poucos caminhos profissionais para os pesquisadores brasileiros para além da docência no ensino superior, pois, instituições voltadas para a pesquisa, como a Agência Espacial Brasileira e a Fundação Oswaldo Cruz atendem a poucas áreas e sofrem com constantes cortes de verbas. Agravando este cenário, mesmo que especialistas queiram seguir o caminho da docência, as universidades brasileiras não conseguem absorver a quantidade de mestres e doutores qualificados no país, fazendo o desemprego ser uma realidade para 25 por cento daqueles com pós-graduação, segundo o jornal Correio Braziliense. Dessa forma, o cientista brasileiro possui poucos incentivos para ficar no Brasil ou até mesmo continuar a seguir a carreira científica.

Nesse contexto, se faz necessário que o Ministério da Educação, através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior, ajuste o valor das bolsas de pós-graduação não apenas pela inflação, mas também pensando nos custos de vida para viver nas grandes metrópoles brasileiras e cujo valor seja competitivo com os auxílios oferecidos por instituições estrangeiras, para que assim seja possível oferecer uma qualidade de vida ao pesquisador brasileiro e dê a ele incentivos para continuar a produzir ciência e inovação em seu país de origem.