Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/11/2020
Até aproximadamente 15 anos atrás o ensino superior no Brasil ainda era extremamente elitizado, mas durante os governos Lula e Dilma houve um grande esforço para democratizar o acesso ao ensino superior; com a criação de novas Universidades públicas e com o Programa Universidade para Todos (Prouni) foi possível alavancar a inserção de jovens brasileiros à profissionalização. Entretanto, hoje, o desafio que paira sobre o país é justamente o de descobrir como manter esses indivíduos que se formaram aqui dentro.
Após o ingresso na Universidade o aluno entra em contato com a produção de pesquisas, novas teorias e diversas formas de se fazer ciência, mas lamentavelmente o Brasil ainda não conseguiu preparar seu mercado para absorver esses cérebros que ajudou a formar. E lamentavelmente, pois o capital vivo, intelectual, as pesquisas e produção científica são peças fundamentais para o desenvolvimento nacional.
Hoje, a grande maioria das pesquisas desenvolvidas no Brasil são resultados do fomento estatal, no entanto, um profissional qualificado é melhor remunerado ao trabalhar para a iniciativa privada do que na produção científica. Mas ainda, o país não possui um empresariado nacional robusto para acolher estes profissionais e manter seu capital intelectual em atuação aqui, as empresas com grandes investimentos em tecnologia são, na sua maioria, internacionais e estas acabam por sequestrar os profissionais que não encontram formas de atuação bem remunerada em seu próprio país.
Em suma, criar alternativas para evitar a fuga do corpo científico e profissionalizado é benéfico para todo o país; isso garante que o investimento feito na formação destes indivíduos retorne em forma de desenvolvimento, de geração de empregos e de melhoria na qualidade de trabalho para o brasileiro. Para isso é necessário unir investimentos com ampliação do mercado.
Para realizar essas mudanças a nível nacional é imprescindível que o governo federal participe ampliando os investimentos em projetos de pesquisas desenvolvidas por instituições como CAPES e FAPESP, por exemplo, a fim de proporcionar espaço para o crescimento do nosso capital científico e tecnológico com melhores recursos e remunerações aos profissionais em atuação e o governo pode ainda propor que se realizem pesquisas estrategicamente alinhadas às áreas de interesse para o crescimento do país; e também proporcionando incentivos fiscais ao empresariado nacional para impulsionar o mercado a investir em novas tecnologias, pesquisas e na contratação dos nossos profissionais, isso aceleraria a criação de empregos e colocaria o país em pé de competição com o mercado internacional, fortalecendo também a economia.