Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 13/11/2020
No livro “Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie, a protagonista encontra-se forçada a deixar sua casa na Nigéria e ir aos Estados Unidos para continuar seus estudos. Apesar de se tratar de ficção, esse fenômeno chamado de “fuga de cérebros” (ou “brain drain”) – isto é, a massa acadêmica que deixa seu país de origem para buscar melhores oportunidades em terras internacionais – é a realidade de países que desvalorizam a área científica e seus acadêmicos, como o Brasil. Portanto, é necessário analisar as causas e as consequências dessa problemática que afeta o desenvolvimento nacional.
A princípio, Hans Jonas afirma que as gerações atuais são responsáveis por garantir o sucesso e o bem-estar das gerações futuras. Entretanto, a falta de investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento por parte do Estado compromete o futuro dos jovens brasileiros e torna inviável a permanência dos acadêmicos no Brasil, uma vez que desrespeita o Imperativo da Responsabilidade, proposto pelo filósofo alemão. Logo, a negligência do governo é responsável pela fuga de cérebros – os jovens não têm esperanças na prosperidade do país –, mas a nação sofre integralmente com esse descaso, por ter seu potencial de crescimento retalhado após a perda de seus talentos.
Além disso, segundo Sócrates, a qualidade da sociedade é avaliada a partir do quanto ela investe em seus jovens. Nesse sentido, o “brain drain” é um mal inerente a uma nação que não consegue enxergar o futuro a longo prazo e abre mão de seus acadêmicos para outros países que têm uma sólida reputação na área científica, como Estados Unidos, Inglaterra etc.; ou seja, o Brasil, ao desvalorizar a população jovem, põe em risco a qualidade da própria sociedade e suas chances de se fortalecer com inovações e tecnologias exclusivamente brasileiras, o que também significa perda de potencial econômico. Assim, o crescimento de quase 10% ao ano dos cérebros em fuga, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, comprova a urgência de solucionar essa problemática.
Portanto, é dever do Estado investir na área de pesquisa e desenvolvimento – como tecnologia, engenharia, neurociência etc. –, por meio do direcionamento de capital para instituições de ensino e pesquisadores brasileiros, a fim de que os jovens queiram permanecer no Brasil e contribuam para a formação do país como uma potência tecnológica, científica e econômica. Ademais, também é importante o incentivo de empresas privadas, por meio do financiamento – com bolsas estudantis, competições nacionais etc. – de pesquisas brasileiras, para que sejam ampliados os meios de recursos aos acadêmicos brasileiros. Com isso, será possível desacelerar a fuga de cérebros e estimular as mentes dos talentos brasileiros a favor de seu próprio país.