Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 19/11/2020

No livro “Americanah”, da autora nigeriana Chimamanda Adichie, a personagem Ifemelu sai do seu país de origem, Nigéria, e imigra para os Estados Unidos, a fim de melhores oportunidades de especialização e emprego. Hodiernamente, essa é a realidade de inúmeros cientistas brasileiros, os quais não encontram oportunidades de crescimento profissional em sua própria nação e buscam  reconhecimento em outros países, ocorrendo a chamada fuga de cérebros. Tal situação é decorrente do sucateamento da educação e da escassez de vagas de empregos, sendo necessário o seu combate.

A priori, vale ressaltar que o descaso na promoção de pesquisas científicas no Brasil é proveniente do baixo investimento governamental na área educacional e fator primordial à fuga de cérebros do país. Prova disso foi o corte de 30% das verbas das universidades públicas realizado em 2019 pelo Ministério da Educação, de acordo com o G1. Dessa forma, verifica-se um cenário de desamparo para esses profissionais, uma vez que a redução de verbas compromete a estrutura adequada para realização de pesquisas e o financiamento das bolsas de estudo, que são essenciais para o pesquisador se manter. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto. Da mesma forma, o descaso com as pesquisas científicas não é uma crise, é um projeto de sucateamento empregado pelo governo. Enquanto a educação for tratada de forma secundária, a migração para outros países será vista como a única alternativa possível para muitos cientistas.

Ademais, outro fator que corrobora para a fuga de cérebros no país é a falta de oportunidades empregatícias ao profissional qualificado. Isso porque o Brasil, por ser um país subdesenvolvido, ainda é nefasto na promoção de empregos na área de tecnologia e ciência, uma vez que possui baixa capacidade de produção nesses setores. Com isso, ocorre a desvalorização do profissional qualificado, visto que não há mercado para ele exercer a sua função, tornando viável a emigração para países mais desenvolvidos. De acordo com a Receita Federal, o número de pessoas que solicitaram vistos para trabalhos especializados nos Estados Unidos aumentou mais de 100% em 2019. Dessa maneira, os cidadãos qualificados ficam subordinados às nações tecnologicamente desenvolvidas.

Portanto, vistos os desafios enfrentados para se combater a fuga de cérebros, é necessário medida que reverta essa situação. Para isso, urge que o Legislativo crie uma lei que estipule um percentual mínimo de verbas governamentais que deverão ser destinadas a educação, a fim de que o governo não sucateie as universidades. Ademais, cabe ao Governo conceder isenções fiscais para a implantação de indústrias de alta tecnologia e, por meio de parcerias, promover exclusividade na contratação de profissionais brasileiros, a fim de proporcionar a oferta de emprego e, assim, mitigar a fuga de cérebros.