Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 14/11/2020

Historicamente, o Brasil demonstra um comportamento negligente no que diz respeito à ciência nacional, a exemplo das exportações de tecnologia estrangeira em detrimento das pesquisas brasileiras no Governo Dutra. Essa postura favorece o fenômeno denominado “fuga de cérebros”, motivado pela falta de suporte financeiro por parte do governo, bem como pelo descaso com os cientistas e sua área de atuação.

Em primeiro lugar, o principal obstáculo enfrentado pelos cientistas brasileiros é a carência de auxílio fiscal destinado aos estudos realizados. Isso porque, segundo Guilherme Rosso, um dos fundadores da Rede Ciência Sem Fronteiras, o investimento em pesquisa e desenvolvimento no país é de 1,2% do PIB, enquanto que em outras nações, como os Estados Unidos, a taxa supera os 2%. Nesse sentido, percebe-se um desamparo desses atores sociais que, por si só, não dispõem de condições para arcar com tais custos.

Ademais, a falta de incentivos aos cientistas nacionais corrobora para essa diáspora de cérebros. Isso pode ser observado em casos como, por exemplo, o mapeamento do genoma do Corona Vírus por uma cientista brasileira, que foi pouco noticiado e, consequentemente, não alcançou a maioria das pessoas. Essa indiferença e desprestígio direcionados aos pesquisadores brasileiros contribui para que esses busquem lugares onde sejam devidamente valorizados.

Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve providenciar o redirecionamento de maior fluxo de investimentos às pesquisas, por meio da criação de programas de incentivo aos estudos científicos nacionais que garantam a maior adesão dos profissionais à ciência do território, bem como promovam a divulgação em peso em todos os veículos de comunicação social. Espera-se, com isso, proteger e enaltecer os cientistas brasileiros e a contribuição deles para o país.