Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 18/11/2020

O SOCORRO À CIÊNCIA NACIONAL

A fuga de cérebros ocorre quando pessoas que possuem certas aptidões científicas ou de conhecimento migram de um lugar a outro, por diversos motivos, como conflitos internos, falta de oportunidades ou, até mesmo, instabilidade política. No Brasil, a falta de investimento em pesquisa, a falta de oportunidade, e a dificuldade de acesso aos materiais necessários para o desenvolvimento dos projetos acadêmicos são os maiores inimigos do desenvolvimento cientifico nacional.

Em primeira análise, a maior dificuldade dos pesquisadores brasileiros é a falta de investimento em pesquisas, como exemplifica o microbiólogo Bruno Martorelli, doutor pela Universidade Federal de São Paulo, “Estava claro que os recursos para pesquisa iam cair, o que de fato aconteceu depois. Quando eu vim para os Estados Unidos, tinha em mente que seria sem retorno.”, o que reforçou a relevância de verba às pesquisas. Além disso, de acordo com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, 25% dos brasileiros com doutorado, e 35% dos que têm mestrado, estão desempregados. Diante desses dados, é evidente e preocupante o descaso com o qual pesquisadores e profissionais nacionais são tratados.

Ademais, outro empecilho enfrentado pelos desenvolvedores de pesquisas é a distância das matérias-primas necessárias para o desenvolvimento dos projetos acadêmicos, pois, segundo Bruno Martorelli, “aqui [Estados Unidos], se eu comprar um reagente, ele vai estar na minha mão em um ou dois dias. No Brasil, o mesmo reagente pode demorar mais de um mês para chegar”, o que desmotiva os estudantes brasileiros. Embora a saída de profissionais brasileiros prejudique a ciência nacional, a tendência é que esse fenômeno ocorra cada vez mais, uma vez que, de acordo com a Receita Federal, o número de profissionais que abandonaram o Brasil aumentou 184% de 2011 até 2018, o que é assustador.

Portanto, o descaso com as pesquisas nacionais, e a distância das matérias-primas prejudicam a ciência brasileira. Sendo assim, a fim de desenvolver as pesquisas científicas nacionais, é necessário que o Governo, junto ao Ministério da Educação, disponibilize verbas, a cada início de semestre, por meio de decretos, a todas as universidades brasileiras que estiverem desenvolvendo pesquisas, sendo que o valor doado seja estipulado pelos próprios realizadores do estudo. Dessa forma, não faltarão investimentos no decorrer das pesquisas e estas poderão ser, totalmente, concluídas.