Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 22/11/2020
Na série “Elite”, é narrada a trajetória das personagens Nádia e Lucrécia, duas estudantes que, devido à dedicação e alto rendimento escolar, recebem uma bolsa de estudos para deixarem sua nação de origem e continuarem sua formação acadêmica em uma renomada universidade em Londres. Fora da ficção, a realidade brasileira se assemelha com a do seriado, visto que, muitos estudantes procuram novas oportunidades fora do país, não só pela falta de investimento do governo em desenvolvimento científico e tecnológico, mas também pela falta de conexão entre as universidades e o mercado de trabalho. Diante disso, medidas são necessárias para conter a fuga de cérebros do Brasil.
Precipuamente, é fulcral pontuar os baixos investimentos governamentais no sistema científico e tecnológico como principal promotor da problemática. Desde os anos 90, a sucessão de governos neoliberais evidenciou uma preocupante tendência de redução de verbas destinadas à pesquisa e inovação, que, atualmente, consoante ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, contabilizam apenas 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto), em auxílio à essa área do conhecimento. Nessa lógica, é perceptível um cenário caótico de desamparo para esses profissionais, onde sem estrutura, bolsas de iniciação científica e equipamentos, migram para outros países em busca de melhores condições de trabalho e de uma vida estabilizada.
Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de uma atuação conjunta entre instituições de ensino superior e mercado de trabalho como impulsionador do impasse. Enquanto em outros países o aluno se forma ingressando com facilidade no mercado de trabalho, no Brasil, observa-se um descaso significativo com os recém formados. De acordo como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego afeta cerca de 46% dos recém formados, que enfrentam inúmeras dificuldades para garantir uma remuneração satisfatória, materializar seus conhecimentos adquiridos e consolidar sua reputação profissional em território nacional.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para resolver o impasse. Dessarte, com o intuito de diminuir o número de fuga de cérebros da pátria, faz-se mister que, o Tribunal de Contas da União, direcione capital que, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, seja revertido na criação de programas que tenham o fito de assegurar investimentos e bolsas à prática científica. Ademais, cabe ao Poder Legislativo proibir os governantes de desviar verbas que seriam destinadas às universidades, que hodiernamente, são as principais responsáveis por grande parte das pesquisas da nação. Somente assim, será possível transpor essa adversidade e restringir a migração da mão de obra qualificada à ficção.