Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 02/12/2020

Com o avanço da tecnologia e o uso acelerado da internet, a globalização diminuiu as barreiras entre sociedades, culturas e nacionalidades. Por esse motivo, é normal existir o compartilhamento das utilidades humanas, como a mão de obra, o talento de esportes e, principalmente, o conhecimento intelectual. Desse modo, mostra-se normal a migração intelectual de estudantes e pesquisadores; contudo, o desacato do governo e sua falta de incentivos, apoios e vínculos com tais intelectuais, transforma a oportunidade de sair do país em uma necessidade de fugir de tais desinteresses.

Primeiramente, analisa-se a situação econômica precária que a educação brasileira disponibiliza, deixando evidente a pouca importância que o Estado dá aos seus estudantes, pesquisadores e cientistas. Isso é claramente evidenciado pelas propostas do atual governo, que deseja diminuir a verba de universidades federais, as quais são as principais fontes de artigos científicos do país. Ou seja, não há espaço no Brasil para o estudo, a ciência e a pesquisa, deixando como única opção a esses profissionais a saída do país. À vista disso, a fuga de cérebros brasileiros tem como motivo a falta de oportunidade, o pouco reconhecimento social e a ínfima remuneração salarial proporcionados pela administração governamental.

Em segunda análise, além do preocupante motivo da fuga de cérebros do Brasil ser literalmente para fugir do país, a falta de conexão e interesse do Estado em relação aos seus cérebros emigrados demonstra a incompetência governamental em aproveitar a aquisição de novos conhecimentos. Em países como China e Índia, a fuga de cérebros não é encarada como uma perda, mas sim como um trânsito de pesquisadores. Isso porque existe uma forte conexão entre o pesquisador e seu país de origem, o qual trata a saída de seus talentos como uma questão estratégica para a aquisição de novas tecnologias e recentes conhecimentos. Portanto, o problema não é a saída de profissionais intelectuais, mas sim a falta de planejamento em aproveitar as vantagens que a fuga proporciona.

Conclui-se, portanto, que a displicência estatal transformou a saída de intelectuais do país em uma necessidade. Por esse motivo, o governo federal brasileiro (órgão responsável pela educação e pelo incentivo à pesquisa e tecnologia) deve proporcionar melhores condições de vida e mais oportunidades para pesquisadores. Isso pode ser feito investindo o dinheiro público na educação, tanto em universidades privadas, quanto públicas; para que, assim, os pesquisadores e futuros cientistas tenham condições de permanecer em seu país e terem um trabalho reconhecido. Dessa forma, a ditadura do “Brasil: não estude ou deixe-o” e do “abandono de cérebros” podem deixar de existir, e a fuga pode se tornar uma escolha.