Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/12/2020
Haroldo Maranhão, um escritor contemporâneo que contribuiu muito com a literatura brasileira, em um de seus contos mais famosos, ‘‘O Peixe de Ouro’’, narra sobre a importância de se preservar as coisas preciosas. Nesse âmbito, a educação e o conhecimento científico são um dos setores mais relevantes para o avanço social, intelectual e econômico de um país. Apesar disso, o Brasil, não só por conta de uma estrutura social do período Colonial que influência ainda hoje, como também da falta de compreensão da população, não valoriza os seus cientistas, propiciando a fuga de cérebros -que é a emigração de pessoas altamente qualificadas para outros países que oferecem melhores condições-.
Primeiramente, é válido ressaltar que, no contexto de Brasil Colônia, surgiu uma organização social baseada no patriarcalismo, na agronomia e na escravidão, essa estrutura, além de impactar diversos período posteriores, inclusive o atual, impediu o avanço do país. Nesse sentido, Rui Barbosa, na Primeira República, tentou industrializar o país por meio da lei do encilhamento, no entanto a escravidão, mantida pelos latifundiários, acabou impossibilitando esse processo. Embora esse ocorrido esteja distante temporalmente, os diversos fazendeiros dentro da política atual, que favorecem os seus próprios interesses, mostram que as coisas não mudaram muito, ou seja, o Estado brasileiro não tem interesse em fornecer educação para a população e nem propiciar pesquisas científicas, mas sim em manter o agronegócio de pé, gerando muita renda para poucos. Sendo assim, fica claro que a fuga de cérebros é uma consequência de um Estado que se baseia em uma sociedade retrógrada.
Paralelamente, pode-se dizer que, em razão dos diversos problemas da educação brasileira, grande parte da população não consegue entender os benefícios das pesquisas científicas. Nesse contexto, a falta de iniciação científica nas escolas, os altos índices de analfabetismo absoluto e funcional fazem com que muitas pessoas não pressionem os governantes quando eles realizam cortes na área de pesquisa, desestimulando a formação de pesquisadores -segundo a Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico, apenas 0,2% dos brasileiros possuem doutorado, enquanto a média dos outros países é 1,1%- e os poucos que seguem essa carreia acabam saindo do país.
Em virtude dos fatos mencionados, fica nítido que a fuga de cérebro no Brasil é consequência de fatores históricos e políticos. Portanto, é necessário que a população, por meio de lei de iniciativa popular - assinada por 1% do eleitorado brasileiro, assim como exigido pela Constituição no artigo 61- , solicite que todos os alunos que finalizaram o ensino fundamental I e II realizem um projeto científico sobre qualquer área de interesse, os alunos com os melhores projetos serão premiados com um auxílio financeiro para que assim a juventude cobre o governo sobre o rumo das medidas na área de pesquisa.