Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 07/01/2021

O médico brasileiro Miguel Nicoelis, um dos expoentes da Neurociência, deixou o país de origem e começou a atuar em prestigiadas universidades dos Estados Unidos. Esse fato não se trata de um caso isolado, visto que a fuga de cérebros é cada vez mais comum no Brasil e combatê-la configura-se como um desafio. Nesse sentido, convém analisar as causas e as consequências desse impasse.

A princípio, cabe ressaltar que o baixo incentivo à pesquisa é um dos motivadores do problema. Diante disso, infere-se que a pequena parcela do PIB destinada à educação e à ciência, segundo o IBGE, e a aprovação da PEC 241/2016, que limitou os gastos públicos nesses setores, criaram um ambiente pouco favorável à pesquisa. Sob essa perspectiva, infere-se que o Estado falha ao não destinar recursos que sejam suficientes para fomentar os trabalhos científicos nacionais. Logo, é inaceitável que a ciência brasileira perca tantos talentos para o exterior.

Ademais, vale salientar que a fuga de cérebros faz com que a ciência e a tecnologia nacionais não se desenvolvam no mesmo ritmo dos outros países. Por conta disso, o Brasil precisa importar tecnologia estrangeira e, em contrapartida, exporta, majoritariamente, produtos primários e de baixo valor agregado, de acordo com o IBGE, o que prejudica a economia. Diante disso, é fundamental que haja maior incentivo ao setor tecnológico, visto que, como afirmou o empresário Steve Jobs, a tecnologia é capaz de transformar a sociedade. Diante disso, é inadmissível que o Brasil, apesar de seu potencial, fique dependente de tecnologia externa.

Portanto, é fundamental combater a fuga de cérebros. Assim, cabe ao Ministério da Educação incentivar a pesquisa nacional, por meio de repasse de verbas a universidades, com o fito de alavancar a ciência e de impedir que os pesquisadores nacionais deixem o país. Essa verba deve ser suficiente para a continuidade dos trabalhos acadêmicos e precisa ser prevista na Lei Orçamentária Nacional. Com isso, casos como o de Miguel Nicoelis deixarão de ocorrer.