Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 02/12/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a falta de combate à fuga de cérebros no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao não investir em pesquisas das universidades federais. Isso porque um pesquisador pode ter interesse de continuar investigando, por exemplo, vacinas que são eficazes para a ativação imunológica contra o coronavírus. Contudo, entender que os financiamentos de pesquisas têm sido suspensos tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconsciente (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a ausência de combate à fuga de cérebros. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população ao não lutar por assistência financeira estatal, visto que, falta auxiliar financeiramente os pesquisadores com o aumento do valor das bolsas de mestrado e doutorado, o que tem causado a evasão desses estudantes do país. Considerando os estudos a filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, dessa forma, o senso crítico deles.

Constata-se, finalmente, que a falta de combate à fuga de cérebros deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, investimento financeiro, priorizando verbas para os universidade federais, objetivando, com isso, a continuação das pesquisas. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanha midiáticas promovidas por ONG’s, a fim de que não haja a banalização dessa problemática, o que pode ser por meio do Ministério da Educação com a ampliação dos valores de bolsas de mestrado e doutorado, com o objetivo de incentivar a permanência desses estudantes no país. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de superação desse impasse.