Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/12/2020
Brás Cubas, o defunto- autor de Machado de Assis, diz em suas “ Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez ele percebesse a acertada decisão: a postura de muitos governantes frente a produção científica. Com isso, surge a problemática da fuga de cérebros que está ligada intrinsicamente a realidade do país, seja pela insuficiência de políticas públicas, seja pela lenta mudança de mentalidade social. Diante dessa perspectiva, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro, além de suas consequências.
É indubitavelmente que a questão do financiamento estatal esteja entre as causas da problemática. Nesse sentido, a Constituição cidadã de 1988 garante apoio e incentivo financeiro à ciência, porém esse direito não é usufruído de forma completa pelos pesquisadores, uma vez que os governantes atendem aos anseios sociais, e grande parte da população não exige o apoio capital às instituições científicas públicas. Sob essa conjuntura, consoante Kierkegaard em seu conceito “ Angústia”, o ser humano percorre a singularidade das condições individuais para alcançar o ápice do que é valorizado, assim, ao indivíduo estar imerso a possiblidades de melhores condições de vida e estruturas de trabalho em outros países, deixa para trás a precária situação científica do país.
Por conseguinte, depreende-se que as raízes históricas corroboram na fuga de cérebros no Brasil. Sob esse viés, segundo Levi- Strauss, a interpretação do adequado do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como as relações e eventos históricos. Nesse lógica, ao relatar o país em um conjunto de medidas tanto políticas quanto religiosas que sobrepuseram ao decorrer de sua formação, essa perdeu foco e significância em uma expressiva parcela social. Contudo, em decorrência da desconfiança e veracidade, muitos cientistas buscam países em que são valorizados socialmente. Logo, uma mudança de valores é fundamental para transpor barreiras. Conforme informações supraditas, ficam evidentes problemáticas ao que tange o combate a fuga de cérebros do Brasil, sendo necessário intervenções. Logo, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras escolares, enfatizar a contribuição científica no cenário mundial, a fim de reverter valores sociais e a partir disso valorizar os trabalhadores nessa área. Outrossim, o Ministério Público deve, através de verbas governamentais, aumentar os investimentos públicos dirigidos às instituições científicos públicas, com o intuito de melhorar a infraestrutura e garantir a permanência dos pesquisadores no país. Desse Modo, criará o Brasil em um lugar que Brás Cubas pudesse se orgulhar.