Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê que o Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho. Todavia, quando se observa a “fuga de cérebros” no Brasil, percebe-se que ainda há desafios a serem superados para a garantia do cumprimento da lei. Diante dessa perspectiva, faz-se essencial a análise das causas que favorecem esse quadro.

O primeiro fator que deve ser examinado, em relação à situação em questão, é a desconfiança da população. Nesse sentido, no Brasil, uma grande parcela de indivíduos não acredita que o financiamento em pesquisa científica seja importante, em dissonância do pensamento de Steve Jobs, para o qual a tecnologia move o mundo. Esse cenário reflete nos pesquisadores, com a sua desvalorização e desrespeito pela sociedade e Estado, o que impulsiona a sua emigração para países onde esse ramo do conhecimento é valorizado. Além disso, como falta incentivo a pesquisa, a inserção de pessoas altamente qualificadas no mercado de trabalho se torna muito difícil. Prova disso, é que 25% dos brasileiros com doutorados e 35% dos que têm mestrado estavam desempregados, em 2014, conforme o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - MCTI.

O segundo obstáculo, importante para reflexão, é a inobservância do Estado, que compromete o desenvolvimento da nação. Sob esse viés, o investimento insuficiente em inovação, acarreta na baixa oferta de bolsas e de remuneração das de mestrado e doutorado, que não são reajustadas há vários anos. Reflexo disso, é que, em 2020, houve um congelamento de 42% das despesas de investimento do MCTI, em desacordo do que está previsto na Carta Magna, que assegura recursos na área da ciência. Ademais, uma das consequências desse fenômeno é o aumento da dependência tecnologica do Brasil, visto que o estudo altamente especializado que esses profissionais detêm são exportados juntos, o que no futuro pode significar um déficit de cientistas, com a produção de conhecimento de baixa qualidade e avanços técnicos pífios.

Portanto, medidas são necessárias para combater efetivamente os desafios da fuga de cérebros no Brasil. Para tal, o governo deve, com o auxílio do Ministério da Educação, promover campanhas públicas, transmitidas em horário nobre e regularmente, de valorização da ciência e dos seus trabalhadores, por meio da exposição de dados sobre a importância dos avanços nessa esfera para o crescimento do país. Junto a isso, deve aumentar o repasse de verbas para o Ministério da Ciência que poderá aumentar a quantidade e o valor das bolsas de estudo. Logo, minimizar o preconceito existente na sociedade em relação a esses profissionais e promover a sua valorização e permanência.