Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 27/12/2020

No artigo 218 da Constituição Federal de 1988, o Governo compromete-se em investir em ciências e tecnologias, com incentivos às pesquisas científicas e buscas por inovações. Entretanto, observa-se o descumprimento desse dever governamental, pois a perda de cientistas demonstra a insatisfação e o desrespeito vivenciado por esses pesquisadores. Os quais, em busca de estabilidade e reconhecimento profissional, além de melhores remunerações e condições de vida, optam por sair do Brasil e aperfeiçoar a carreira em países desenvolvidos.

Em primeira a análise, a falta de investimentos no ensino superior tem contribuído para a insatisfação de muitos pesquisadores e despertado o desejo de tantos outros pela a busca de oportunidades fora do Brasil. Nesse sentido, o recente anúncio do Governo de cortes em bolsas de pós-graduação em regiões carentes, como mostrou uma matéria apresentada pelo portal de notícias G1, demonstra o desinteresse governamental com a formação de cientistas no país. Logo, diante desse desrespeito com o descumprimento do artigo 218 da constituição Federal, muitos profissionais optam por concluír os estudos e ir trabalhar em nações onde se sentem mais valorizados.

Ademais, diante do baixo prestígio que a carreira de pesquisador enfrenta no país, a pouca empregabilidade e baixa remuneração são fatores que confluem para a evasão desses profissionais. Observa-se, por exemplo, que a profissão de cientista, para a qual disponibiliza-se raras vagas de emprego, não é sequer reconhecida legalmente. Ao contrário do Brasil, essa indispensável atividade, cuja formação exige esforço e dedicação, é amplamente valorizada em países desenvolvidos como Inglaterra, Suíça e Canadá, que oferecem laboratórios altamente tecnológicos, boas condições de vida e estabilidade na carreira científica. Diante disso, urge a necessidade de uma mudança de valores no território nacional, no qual a ciência deve ser valorizada e reconhecida como ferramenta fundamental para o desenvolvimento da nação.

Portanto, com o objetivo de mitigar a perda da mão de obra especializada do Brasil, é dever do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criar programas de incentivo à ciência logo na primeira infância. Isso pode ser feito por meio da realização semestral de oficinas de ciências, nas quais os alunos do ensino fundamental poderão ter contato com instrumentos de laboratórios de química, robótica e informática - oferecendo premiações para as melhores invenções, despertando nas crianças o interesse pelas ciências e tecnologias. Desse modo, o Estado poderá iniciar um processo de mudanças de valores na juventude brasileira e, validará, sobretudo, o cumprimento da Carta Magna no artigo 218.