Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/01/2021
No livro, “Matéria Escura”, de Blake Crouch, é retratada a história de Jason, um cientista fracassado, que ministra aulas numa escola de sua região, porém, tudo muda no momento em que ele é enviado a um universo paralelo, onde se torna um pesquisador de sucesso, seu maior sonho. Fora da ficção, é fato que, no Brasil, cidadãos com o objetivo similar ao de Jason, não têm seu trabalho valorizado, seja pelo povo, seja pelo governo, resultando na “fuga de cérebros”, a saída de pessoas formadas em um país rumo a outro. Nesse contexto, as causas de tal ocorrência são notadas tanto no baixo investimento governamental no ramo de pesquisas, quanto na condição precária de laboratórios. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, rege na Constituição federal – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro -, o artigo 3º, que garante o desenvolvimento nacional. Entretanto, o que se observa na realidade, é a redução de verbas para artifícios importantes no progresso brasileiro, como no contingenciamento de renda destinada às universidades, promovido pelo governo no ano de 2019. Dessa forma, verifica-se o Estado como um dos responsáveis pela situação atual.
Por conseguinte, também é válido relatar que, em território nacional, a preservação dos locais de trabalho destes pesquisadores não vem sendo mantida. De acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, em sua obra “Do Contrato Social”, o Estado deve agir como funcionário do povo, no entanto, na questão de manter uma boa condição para a pesquisa nos laboratórios, nota-se o descumprimento do Contrato Social proposto por Rousseau, gerando ambientes pouco propícios para um estudo técnico. Assim, observa-se novamente o governo nacional como agente na diáspora de cérebros.
Nesse sentido, fica claro a necessidade do poder estatal garantir mais atenção ao ramo das pesquisas técnicas. Portanto, cabe ao Ministério da Educação – órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro -, a destinação de mais verba às iniciações científicas, geralmente presentes nas universidades, para que, assim, aquele cientista formado em solo nacional, sinta-se valorizado e incentivado à conhecimento ao Brasil. Além disso, recai sobre as reitorias dos institutos, a responsabilidade da manutenção de uma boa condição nos laboratórios dos campos universitários, gerando melhor eficiência nos estudos realizados em tais locais. Deste modo, os atuais e futuros cientistas, se sentirão encorajados a trabalhar em solo brasileiro, assim como Jason, de “Matéria Escura”, sonhava em sua terra natal.