Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A Nova Ordem Mundial, instaurada após a Guerra Fria, revolucionou as relações comerciais e sociais entre as nações. Nesse contexto, a necessidade de mão de obra qualificada com o intuito de aperfeiçoar o meio-técnico-científico-informacional, instiga os países desenvolvidos a buscarem profissionais em países subdesenvolvidos. Dessa forma, o Brasil enfrenta um entrave relacionado à fuga de cérebros, resultante do legado histórico agrário e da infraestrutura científica precária do país. Por isso, deve-se debater e mitigar tais desafios para garantir o progresso nacional.

Em primeiro lugar, é importante enfatizar que o escoamento de profissonais para países desenvolvidos está ligado ao processo histórico agrário brasileiro. Isso porque, no período do Estado Novo, Getúlio Vargas realizou a iniciativa de uma industrialização de base e rudimentar, com a finalidade de garantir empregos e priorizar apenas as empresas agrárias e siderúrgicas nacionais. Dessa maneira, a negligência de desenvolver-se o meio científico resultou na procura de oportunidades exteriores pela massa de profissionais qualificados. Consequentemente, a fuga de cérebros acentuou-se como resultado da escassez de políticas governamentais que garantissem a permanência dessa parcela no mercado de trabalho nacional.

Em segundo lugar, diante do exposto, cabe ressaltar que a falta de investimentos em infraestrutura científica corrobora para a problemática. Segundo o filósofo Rousseau, em sua teoria do Contrato Social, o Estado deve funcionar como mediador do progresso social, ecômico e científico de sua população. Em contrapartida, a ausência do apoio estatal no desenvolvimento de uma estrutura técnica no Brasil faz com que profissionais determinados busquem essa infraestrutura em nações superiores. Por consequência, o papel internacional brasileiro ficará voltado apenas como exportador de matéria prima no contexto da Nova Ordem Mundial. Logo, faz-se necessário reverter tal panorama.

Portanto, tendo em vista que o legado histórico desenvolvimentista e a infraestrutura precária são desafios a serem combatidos, cabe ao Estado mitigar tais entraves e garantir o progresso nacional. Primeiramente, o Governo Federal deverá criar um projeto de iniciação científica em todo território brasileiro, por meio de bolsas e financiamentos em pesquisas, com o intuito de revolucionar o processo histórico criado por Vargas e garantir a permanência dessa massa profissional no desenvolvimento do país. Ademais, cabe ao Ministério da Educação investir na infraestrutura das universidades nacionais, por meio de centros de pesquisa, com a finalidade de efetivar o Estado como mediador do progresso da ciência. Por fim, tais ações irão reduzir a fuga de cérebros no Brasil.