Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/01/2021
De acordo com o pensador chinês Confúcio, a não correção das falhas existentes leva ao surgimento de novos erros. Dessa forma, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, vê-se uma aproximação do pensamento do autor, já que problemas de cunho político, como a vazão de profissionais brasileiros para o exterior, são imbróglios para a realização da máxima referida. Logo, esse quadro anômalo é fruto da falta de investimento em pesquisas científicas e de suporte estrutural. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar a insuficiência financeira em questões voltadas para a produção científica. Por esse caminho, segundo a brasileira Suzana Herculano-Houzel, uma das neurocientistas mais conhecidas do mundo, alega que, para a continuação de suas pesquisas, por não ter agentes investidores suficientes, já as sustentou às suas próprias custas. Dessarte, essa assertiva obtém respaldo social ao se constatar a negligência constitucional dos órgãos públicos, assim como a irresponsabilidade governamental, em não promover o avanço intelectual e educacional, o qual é atingido pelo crescimento das vanguardas científicas, de forma a petrificar o saber brasileiro. Por isso, o investimento e o consequente sustento em iniciativas e em laboratórios científicos é mister.
Outrossim, a observação da disponibilidade dos recursos materiais necessários para o fazer científico é importante. Deste modo, torna-se indispensável o desenvolvimento de equipamentos nacionais para a perpetuação da ciência brasileira. Nesse viés, conforme o microbiólogo brasileiro Bruno Martorelli, os problemas de cunho estrutural são, em parte, os principais causadores do décifit de cientistas verde-amarelos. Assim, ele afirma que, por não existir uma produção nacional de equipamentos especializados, esses ficam à mercê da variação monetária internacional. Diante disso, quando essa oscilação atinge grandes proporções, a produção científica é inviabilizada, de modo que o cientificismo brasileiro não é continuado, mas inconstante, o que traz insegurança aos cientistas.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Sendo assim, o Tribunal de Contas da União - órgão financeiro primordial -, aliado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve criar políticas públicas que assegurem a produção científica eficiente brasileira referentes às universidades e às instituições públicas. Por conseguinte, com a liberação de verbas assistenciais e com a fundação de uma rede de construção e de montagem de instrumentos científicos de ponta, alcançar-se-á a diminuição da emigração de especialistas brasileiros para outros centros de pesquisa, a produção efetiva de conhecimento e o acerto de entraves políticos.