Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, a fuga de cérebros se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a falta de investimento estatal e o silenciamento midiático acerca das pesquisas científicas, colaboram para que o problema persista no país.
Diante desse cenário, urge pautar o desleixo do Estado referente aos investimentos de pesquisas científicas, alimentando a fuga de cérebros. A esse respeito, cientistas brasileiros preferem buscar oportunidades em outros países senão o Brasil, pois o reconhecimento no exterior é maior. Tal circunstância é contraditória ao analisarmos o artigo 218 da Constituição Federal de 1988, objeto de maior poder e integridade no país, que assegura como dever estatal a promoção de pesquisas tecnológicas, científicas e de inovação. Desse modo, é inadmissível que medidas não sejam tomadas, uma vez que esse cenário gera impasses no desenvolvimento econômico, social e político brasileiro, bem como a dependência brasileira de conceitos técnicos elaborados por outros países.
Ademais, é válido salientar que a mídia não reconhece as poucas conquistas científicas nacionais e nem divulga a constante fuga de cérebros presente no Brasil. Sob esse âmbito, o sociólogo Émile Durkhein compara a sociedade com um “corpo biológico”, posto que a sociedade, assim como o corpo, é composta por partes que interagem entre si, e é preciso que todas as partes estejam inteiradas e saudáveis para que esse corpo funcione bem. Nesse viés, a sociedade precisa estar inteirada acerca do baixo desempenho científico brasileiro, só assim a população poderá cobrar das autoridades melhorias no eixo acadêmico. Dessa maneira, é incoerente que o cenário continue a perdurar no país.
Portanto, para que as gerações futuras tenham a oportunidade de realizar pesquisas científicas e colaborar para o desenvolvimento do país, medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, solicitar a participação de sociedades anônimas e empresas de grande porte no incentivo à pesquisas científicas. As empresas investiram, em conjunto ao Estado, valores financeiros nas universidades de seu segmento, e em troca, terão isenção de alguns tributos. Além disso, o MEC deve disseminar, por intermédio dos veículos midiáticos, comerciais que pautam as conquistas científicas, tecnológicas e de inovação, em horário comercial, a fim de integrar a população sobre o desempenho científico dos estudantes brasileiros. Com essas medidas, espera-se que esse nó seja desatado e que diminua a fuga de cérebros no Brasil.