Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/01/2021

No livro “Desafios da Nação”, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, a saída de cientistas e estudantes do Brasil. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só ao descaso governamental, mas também lacuna educacional.

Em primeira análise, o governo é o principal responsável por esse imbróglio. Segundo Hannah Arendt, em ‘‘A Banalidade do Mal’’, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. De maneira análoga, a inoperância do poder público encaixa-se nessa linha de pensamento, visto que existe uma reduzida atuação do Estado em busca de assegurar os direitos básicos, como investimentos no desenvolvimento cientifico e tecnológico, evidenciados pelos cortes de despesas em pesquisas e bolsas para profissionais dessas áreas. Dessa forma, por não estar efetivamente comprometido com o desenvolvimento da nação - visto que despreza essa realidade e a encara como algo normal -, o número de profissionais qualificados que saíram do país, em busca de melhores oportunidades, triplicou, de 2011 a 2018, conforme dados divulgados pelo site wordpress.com.

Outrossi, a escola também contribui para essa mazela.  De acordo com o pedagogo e filosofo Moacir Gadotti, o modelo de escola atual não oferece propostas significativas para as exigências contemporâneas. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com a carreira cientifica desde os primeiros anos escolares, diminuindo o contato do estudante sobre a importância de estudar e conhecer os benefícios que essa profissão proporciona para crescimento, econômico e social, do país. Assim, enquanto houver uma negligência ao ensino e incentivo à essa carreira academia, a escola contribui para um afastamento desses indivíduos e contribui para diáspora de mentes do Brasil.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em conjunto com o Poder Público, promova maior investimento na infraestrutura de pesquisas científicas e acadêmicas, por meio de verbas governamentais, a fim de acolher e dá suporte adequado aos cientistas Brasileiros. Tais investimentos devem, também, ser direcionados para financiar estudos e divulgar todas as pesquisas já produzidas nas escolas e nas redes sociais, para que todos reconheçam a importância da ciência para o desenvolvimento do país. Logo, a aplicação dessas medidas será capaz de superar os desafios da nação inerentes à fuga de “cérebros” do Brasil.