Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/01/2021

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, na sociedade contemporânea é observado o oposto do que é pregado pelo autor, haja vista a conjuntura de desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil. Em vista disso, a falta de investimentos em inovações científicas corrobora para o acréscimo desse cenário, além da desvalorização da profissão de pesquisador.

Em primeiro plano, é importante ressaltar a omissão dos meios governamentais para advir o devido investimentos na ciência. Nessa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, afirma que algumas instituições -dentro elas o Estado- perderam sua função social, mas conservaram sua forma e se configuram como “instituições zumbi”. Sob essa ótica, é notório que o Governo se mantém inerte perante a ausência de recursos para inovações científicas. Logo, com esse panorama é comum o fenomêno da emigração de pesquisadores para países que valorizam o ramo da ciência, o que fomenta em falhas no desenvolvimento tecnológico, social e econômico do Brasil.

Ademais, outro aspecto a ser abordado é o fato da desvalorização dos estudiosos no território brasileiro. Nesse sentido, segundo o patologista Paulo Saldiva, Diretor de Estudos Avançados da USP, afirma que um dos grandes fatores que impedem o desenvolvimento da ciência no Brasil é o alto valor dos materiais laboratoriais, além da baixa remuneração dos cientistas. Sob esse viés, cabe salientar que essa situação influência na diáspora de cérebros devido a depreciação da profissão de pesquisador. Assim sendo, o progresso brasileiro permanece iminente ao sucateamento em virtude da ausência de evolução de patentes e produtos de origem nacional.

Deprende-se, portanto, a relevância da criação de alternativas para atenuar os impasses dessa problemática. Em suma, cabe ao Governo Federal advir o devido investimento em inovações científicas, por meio do direcionamento de capital para centros de pesquisas e universidades, a fim de instigar o desenvolvimento da ciência no território brasileiro e, assim, cessar falhas existentes no progresso do país em razão da escassez do rigor científico. Além disso, o Poder Legislativo deve impor leis que favoreçam a valorização do pesquisador, por intermédio da Câmara de Deputados, com o objetivo de diminuir os impostos em materiais laboratoriais e ocasionar certo acréscimo da remuneração dessa profissão e, assim, deter a emigração dos cientistas brasileiros para outros países. Dessa maneira, será possível alcançar uma sociedade perfeita como na obra “Utopia” de Thomas More.