Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/01/2021
Com o advento da Quarta Revolução Industrial, intensificou-se a busca por profissionais capacitados que pudessem auxiliar no desenvolvimento tecnocientífico das relações mundiais. Entretanto, contrário a essa lógica, o Brasil tem perdido pessoas qualificadas por conta da irresponsabilidade estatal e da desvalorização do potencial desses indivíduos. Posto isso, ao ressaltar que a representação brasileira caiu 7 posições na produção científica, segundo a Interfarma, fica explícito que tal cenário é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.
Nesse viés, o Estado é inconsequente, pois não promove investimentos suficientes na ciência e na formação dos possíveis colaboradores técnicos. Nesse sentido, tal conjuntura pode ser confirmada ao analisar que, no ano de 2019, o governo brasileiro autorizou o corte de 5000 bolsas de capacitação. Isso posto, parte da população, diante do descontentamento com medidas como essa, deixa de acreditar no sucesso laboral no Brasil e decide buscar oportunidades em outros países que tenham projetos de incentivo à sua atuação. Em consequência disso, a nação brasileira entra em desvantagem, porque tem seu desenvolvimento tecnológico afetado pela carência de profissionais com formação técnica. Assim, fica nítida a importância da responsabilidade estatal.
Além disso, a desvalorização do trabalhador é notória, uma vez que o regime não tem total controle do cumprimento da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Em associação, isso pode ser reafirmado por Gilberto Dimenstein em seu livro “Cidadão de Papel”, ao evidenciar que, muitas vezes, os direitos ficam apenas no papel. Dessa forma, enxerga-se que, por não existir a fiscalização completa do cumprimento da CLT por parte do Estado, abrem-se brechas para que muitas empresas não realizem o pagamento de salários justos, por exemplo. Desse modo, diversas pessoas, que não tiveram seus direitos assegurados no Brasil, decidem buscar crescimento e valorização profissional no exterior. Logo, a fuga de cérebros é causada pela não valorização do empregado em vista da inação estatal.
Portanto, ao examinar fatores que corroboram para a problemática, fica claro que é necessário intervir. Nesse plano, o Ministério do trabalho, em parceria com o Ministério da Tecnologia, Ciência e Informações, deve ampliar o número de bolsas de capacitação e desenvolvimento científico por meio da reserva de recursos financeiros durante a visão orçamentária, essas, serão distribuídas para aqueles que estão em transição da carreira acadêmica para a carreira laboral, de modo que sejam moldados a contribuir com a produção tecnocientífica do Brasil, para que, assim, o país possua maiores índices de participação colaborativa e não tenha seus trabalhadores emigrando por conta da irresponsabilidade estatal e da desvalorização do trabalho. Sendo assim, visa-se auxiliar no bem-estar social.