Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é aplicada sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à emigração de profissionais da pesquisa do Brasil, que segue sem intervenção que a resolva. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para solucionar a situação, que tem como causas a falta de infraestrutura e o silenciamento.

Em primeira análise, é necessário atentar para a lacuna de infraestrutura no ramo científico brasileiro como influenciador da fuga de cérebros. Nessa perspectiva, a filósofa Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Sob essa óptica, para que os pesquisadores sejam capazes de praticar seu trabalho de maneira plena, é indispensável que haja investimento na estrutura dos laboratórios. Dessa forma, sem a infraestrutura adequada, os cientistas brasileiros se sentem desmotivados a atuar no próprio país, optando por exercer sua profissão em um país estrangeiro.

Em segundo plano, o silenciamento se faz terreno fértil para a evasão de pesquisadores do Brasil. Nesse contexto, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. De acordo com esse pensamento, percebe-se uma falha em torno do debate sobre a saída de cientistas no Brasil, problemática que tem sido silenciada. Assim, é notável que esse abafamento é promovido pelo governo brasileiro, que não valoriza a pesquisa científica e, por conseguinte, silencia a evasão para que a população não tome consciência da questão. Desse modo, sem diálogo massivo sobre o problema, sua resolução será impedida.

Torna-se evidente, portanto, que a fuga de cérebros do Brasil é um desafio que exige intervenção. Como solução, o Ministério da Educação, somado ao poder público, deve promover maiores investimentos à infraestrutura dos laboratórios e à bolsas de pesquisa em entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Isso pode ser feito direcionando parte do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para a área da pesquisa e desenvolvimento científico, a fim de estimular a produção da ciência no Brasil, visando manter seus profissionais. Além disso, em parceiria com as mídias de grande acesso, tais agentes devem divulgar os trabalhos acadêmicos já produzidos nas redes sociais, por meio de “hashtags” e vídeos, para que a população reconheça a importância da ciência. Dessa maneira, será possível manter os cérebros brasileiros no país, auxiliando seu desenvolvimento.