Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne ao desenvolvimento e à soberania do país, o Brasil está distante do ideal de More, pois o Estado ignora medidas que, potencialmente, minimizariam os desafios no combate à fuga de cérebros no território nacional. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens legislativas e analisar as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para mitigá-la.

Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que coíbam os desafios no combate à fuga de cérebros no território nacional - valorizando a ciência e o cientista, assim como o produto do seu trabalho, por exemplo - permite que esse quadro seja uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.

Ademais, convém salientar que a prática da ciência no Brasil está diretamente relacionada à criação de remédios e de vacinas, bem como ao avanço da agricultura. Nessa lógica, a fuga de cérebros afeta a qualidade de vida e a saúde dos indivíduos, fenômeno que está em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito ao bem-estar social, o que destoa da realidade do território nacional, uma vez que, de acordo com o site de notícias G1, um em cada nove cientistas sai do país para trabalhar em instituições estrangeiras. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.

Assim, para combater a fuga de cérebros no Brasil, o Estado deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado através de um plano intitulado “Marcha pela Ciência“, tendo como objetivo valorizar a ciência e o cientista, assim como o produto do seu trabalho, por meio de maiores investimentos para pesquisa e para carreira acadêmica, o que mitigaria o impacto nocivo do problema, e, consequentemente, asseguraria o desenvolvimento e a soberania do país. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, tal qual ocorre no ideal de More.