Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 15/01/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa perspectiva, a afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada à fuga de cérebros no Brasil, já que mais escandalosa do que essa problemática, é o fato da sociedade brasileira se habituar a essa realidade. Desse modo, torna-se fundamental a discussão dos aspectos que permeiam esse empecilho - a falta de qualidade dos institutos de pesquisa nacionais e o descaso governamental -, a fim de mitigá-los.

Em primeiro plano, é imperativo destacar a escassez de recursos nos centros de pesquisas como impulsionadora do problema. Por esse ângulo, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um programa de desenvolvimento científico eficiente; entretanto, isso não ocorre no país. Diante de estruturas precárias e da carência de verba para sustentar os estudos, os jovens pesquisadores vão em busca de melhores ofertas e oportunidades em países estrangeiros que incentivam as inovações e valorizaram os profissionais talentosos, como os Estados Unidos, que, de acordo com o “Portal G1”, recebe os brasileiros em massa. Fica claro, portanto, o impacto nocivo desse cenário no que tange à emigração de cientistas.

Outrossim, evidencia-se, por parte dos setores governamentais, a baixa atuação no que concerne à criação de mecanismos que coíbam essas recorrências. Esse cenário é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) exerce na administração dessa causa. Infelizmente, tal órgão ignora ações que poderiam, potencialmente, fomentar o campo científico nacional e, por conseguinte, evitar a saída de profissionais qualificados do país, como recorrer a incentivos fiscais de empresas privadas, beneficiando o desenvolvimento científico e a economia nacional, uma vez que a mão de obra permanecerá produzindo para o mercado interno. Logo, é lícito afirmar que o Estado atua como agente perpetuador desse imbróglio.

Dessarte, com o intuito de combater a fuga de cérebros no Brasil, urge que o MCTI, por meio de um amplo debate entre sociedade civil, Estado, Ministério da Educação e empresas privadas, lance um plano intitulado “Acolha Cérebros”. Esse projeto deve direcionar capital para a construção de institutos de pesquisas modernos e bem equipados, além de incluir verba suficiente para bancar os estudos e as inovações na área científica na base de Diretrizes Orçamentárias, evitando a perda de trabalhadores qualificados. Dessa maneira, a coletividade irá se habituar a uma nova realidade, mais produtiva e benéfica ao país.