Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 22/01/2021

Fuga de cérebros é o processo no qual cientistas e profissionais altamente qualificados migram para outros países em busca de melhores condições para desenvolver e aplicar seus conhecimentos.Tal fenômeno encontra-se em crescimento no Brasil e resulta em atraso tecnológico, científico e educacional. Nesse contexto, o combate à perda de capital intelectual passa necessariamente pelo debate sobre a falta de recursos na ciência e por mudanças institucionais que valorizem os pesquisadores mais qualificados e competentes.

Inicialmente, destaca-se a falta de recursos para financiar bolsas de estudo, laboratórios e pesquisas como desafio para manter os quadros competentes no Brasil. Nesse sentido, cita-se que, conforme os Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, o país investe apenas 1,3% do produto interno bruto em pesquisa e desenvolvimento — os Estados Unidos investem 2,8%. Dessa forma, a infraestrutura e o suporte precários desmotivam a permanência no Brasil e estimula a saída de pesquisadores para pátrias mais preparadas para recebê-los.

Adicionalmente, menciona-se a desvalorização de profissionais qualificados e o ambiente institucional que não premia o bom desempenho. Nesse viés, cabe ressaltar a exoneração do então diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão, que, apesar de ser um físico renomado, foi demitido por interesses políticos após denunciar alta no desmatamento da Amazônia. Dessa maneira, as posições mais importantes na República não são ocupadas pelos mais competentes para o cargo, mas por interesses pessoais e fisiógicos, fato que também desencoraja a construção de uma carreira no Brasil.

Diante do exposto, nota-se diversos desafios no enfrentamento à fuga de cérebros no Brasil. Portanto, com o objetivo de manter os expoentes intelectuais no país, faz-se mister que o Poder Legislativo e o Executivo invista na ciência e na pesquisa, por meio do aumento do orçamento destinado aos institutos de pesquisa e às universidades. Além disso, é fundamental repensar o método de indicação a posições de chefia em órgãos, ministérios e secretarias, para que os mandatários sejam escolhidos por critérios técnicos e não por afinidades políticas. Destarte, com essas medidas, os estudantes e futuros cientistas serão instigados a aplicar seus conhecimentos para melhorar suas comunidades locais, impulsionando assim o desenvolvimento nacional.