Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 18/02/2021
A Constituição Federal, promulgada pela Assembleia Constituinte em 1988, assegura a todos os indivíduos o direito ao acesso à educação. No entanto, na atualidade, a negligência de políticas públicas voltadas ao combate à fuga de cérebros no Brasil, bem como a desvalorização da educação técnico-científica impedem a garantia desse direito significante para a formação social.
É importante abordar, primeiramente, as causas que perduram na realidade brasileira no que tange à emigração de indivíduos com aptidões técnicas ou de conhecimentos. Nesse sentido, a busca por oportunidades para desenvolver um trabalho em um ambiente mais favorável, com infraestrutura de qualidade e com tecnologia de última geração motiva esse fenômeno. Dado isso, o Brasil afasta-se da utopia proposta por Thomas More, em que o filósofo idealiza uma sociedade perfeita, apresentando a necessidade de mudanças na postura desses indivíduos quanto à precarização do trabalho.
Ademais, observa-se que, após a Revolução Industrial, iniciada na década de 1930, o objetivo de quase toda população tornou-se o acúmulo de capital e, pela discrepância de oportunidades, ocorreu uma concentração de renda para a minoria, o que dificultou o acesso a bens básicos e a educação homogênea. Dessa forma, os pesquisadores que são bem formados no ensino superior nacional são desmotivados pela escassa oferta de emprego qualitativo, pela má remuneração e pela desvalorização da ciência nacional. Por conseguinte, além das questões que dificultam a permanência de pesquisadores no país, o fato de eles serem tão solicitados no exterior indica que as universidades, especialmente as públicas, cumprem seu papel de formação.
Em suma, é notório que a questão de educação científica no Brasil é um problema crônico, representando um atentado ao que é prescrito constitucionalmente. Logo, fica evidente a necessidade de investimento na educação, principalmente em pesquisadores com baixos recursos, a fim de amenizar as distinções sociais. Nesse âmbito, cabe à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação promover o aumento de recursos em infraestrutura e em tecnologia de ponta que estimule uma maior interação na comunidade científica, por meio de laboratórios públicos equipados e ampliados para todas as regiões do Brasil, a fim de motivar a iniciação científica e equiparar aos projetos internacionais. Assim, de forma democrática e coesa, tornar-se-á possível superar os desafios no combate à fuga de cerébros.