Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 21/02/2021
A Diáspora Grega consolidou a instalação dos povos dóricos na Grécia e consequente evasão de seus habitantes à locais seguros. Nuances dessa conjuntura apresentam-se de semelhante modo no século XXI, a saber, pela eminente fuga de cérebros para ambientes que forneçam, principalmente à comunidade científica, melhores oportunidades, desafio a ser combatido para o progresso do país. Logo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que corroboram essa problemática: a falta de investimento na ciência, bem como o retrocesso no desenvolvimento do inerente país.
É relevante destacar, em primeira instância, que a ciência é fator imprescindível para a aquisição de indivíduos pesquisadores. Nesse ínterim, a Cláusula Constitucional 218 visa garantir a capacitação na referida área. Não obstante, devido ao sucateamento no tocante à aplicação de recursos, aspecto visível ao serem verificados os intensos cortes de verba em pesquisa e extensão, o artigo pautado torna-se inviável. Dessarte, a comunidade capacitada acaba por perder perspectivas de empregabilidade, o que afeta, também, a multiplicidade de oportunidades para as futuras gerações.
Outrossim, o pleno desenvolvimento do Brasil só será alcançado a partir de sua autonomia nas diversas áreas. Nesse viés, o filósofo pré-socrático Heráclito admitiu que, na natureza, tudo se trata de um fluxo. De maneira análoga, as formas de crescimento social não são perpétuas, mas passíveis de mudança na medida em que conhecimentos que colaboram para a melhoria da condição humana são aprimorados e colocados em pauta. Dessarte, sobrepujar setores sociais em detrimento de outros acaba por impossibilitar o país no tocante à exploração de indivíduos habilidosos, motivando-os a escolha de locais que privilegiem seus talentos. Por corolário, a conjuntura local torna-se, majoritariamente, dependente do auxílio originário do exterior, além de impossibilitá-la à multiplicidade enconômica. Um exemplo disso é a cientista brasileira Daniela Ferreira, a qual lidera os estudos da vacina de Oxford contra a Covid-19, cujo Brasil é o principal interessado em aquisição.
Mediante o exposto, urge que medidas sejam implementadas para resolucionar o impasse da fuga de cérebros na conjuntura vigente. Sendo assim, é imperativo que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, amplie a disponibilização de bolsas de pesquisa e extensão às universidades e escolas públicas, haja vista que essa área será incluída à grade curricular básica. Tal ação será vigorada por meio de diretrizes orçamentárias e redigida com o auxílio de cientistas brasileiros renomados, a fim de instigar a formação de sujeitos pesquisadores e sensibilizados pela importâcia da ciência para o Brasil. Espera-se, com essa medida, a formação de uma administração que valorize o investimento na ciência, o múltiplo desenvolvimento local e, por fim, a extinção da diáspora semelhante a Antiguidade Clássica.