Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/02/2021

Segundo o importante inventor Thomas Edison, “a insatisfação é a principal motivadora do progresso”, mostrando como o descontentamento de pesquisadores e cientistas, relacionado à falta de investimento no ramo de pesquisas no Brasil, faz com que os mesmos migrem para centros mais desenvolvidos que carecem de suas habilidades, esse processo é denominado “fuga de cérebros”. A fuga de cérebros se torna um obstáculo para a participação brasileira na produção tecnológica mundial visto que, embora o país produza conhecimento, se torna apenas um exportador intelectual para países mais desenvolvidos. Dessa forma, é evidente a necessidade de discutir os impactos da falta de incentivos governamentais e falta de infraestrutura para o avanço de projetos científicos no Brasil.

Primordialmente, é preciso destacar a falta de investimentos no setor de pesquisa  no Brasil. De acordo com o relatório de Indicadores Nacionais de Ciência, de 2018, o Brasil investiu 1,26% do PIB no setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2017, valor muito inferior em relação aos países que lideram a corrida tecnológica, como Coreia do Sul (4,55%) e Japão (3,21%). Os cortes de investimentos nesse setor causam desânimo nos pesquisadores e retardam o avanço tecnológico brasileiro, tornando-o ultrapassado em relação aos demais países.

Ademais, a falta de incentivo governamental também contribui para o avanço retardado das pesquisas científicas no país. O baixo investimento no setor de pesquisa faz com que o interesse popular sobre as pesquisas e projetos científicos brasileiros seja nula, fazendo com que a fuga de cérebros seja uma ação quase invisível ao olhos da maioria, fazendo com que o tema não seja tratado com sua devida importância. Nesse contexto, a migração para países com indústria forte se eleva, como demonstrou dados divulgados pela Receita Federal, no qual entre 2015 e 2019 aumentou-se expressivamente a emigração. Como consequência, o país perde ainda mais capacidade produtiva de tecnologia de ponta.

Desse modo, é visto que a falta de investimentos e infraestrutura para pesquisas no Brasil causa a fuga de trabalhadores especializados, gerando atraso no avanço tecnológico e econômico. Nesse cenário, é fundamental que o Ministério da Tecnologia, aliado ao da Economia, permita a introdução do Brasil no mercado tecnológico, por meio do uso de verbas federais destinadas ao setor de pesquisa e desenvolvimento, além de garantir vagas nesse setor aos recém-formados no país, de modo a impulsionar a participação brasileira no mercado tecnológico global.