Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/03/2021
Na obra ¨Utopia¨, do escritor inglês Thomas More, é idealizada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa no panorama contemporâneo é o oposto do que prega o autor, uma vez que a fuga de cérebros apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário alarmante é fruto tanto de uma instabilidade na qualidade de vida, quanto do baixo investimento em desenvolvimento científico e tecnológico. Dessa maneira, medidas mais arrojadas são essenciais para reverter essa problemática.
Em primeira análise, é imprescindível pontuar a carência de medidas governamentais para combater diversos problemas socias como a violência, o que gera um pensamento duvidoso a respeito de conquistar uma boa estabilidade de vida no país. Isso é negativo, pois o indivíduo, muitas vezes, já teve que batalhar bastante para conseguir sua qualificação profissional e, deveria está se preocupando somente com o mercado de trabalho, porém devido a altos índices de práticas violentas, precisa também pensar em sua segurança. Essa realidade preocupante além de formentar a saída de muitos potenciais profissionais para o exterior em busca de melhores condições de vida, destoa-se do pensamento de Hegel, no qual ¨o Estado é como um pai, que deveria proteger seus filhos¨. Desse modo, faz-se mister uma urgente mudança na postura estatal para reverter esse quadro lastimável.
Ademais, é fulcral ressaltar o ineficaz investimento no campo da produção científica e tecnológica como impulsionador da fuga cérebros no contexto nacional. Segundo dados da última pesquisa de Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2018, o Brasil investiu apenas 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Diante disso, forma-se um cenário caótico de desamparo a esses profissionais que, sem a devida infraestrutura, financiamento de bolsas de estudos e ausência de equipamentos, veem a expectativa de progredir em seus trabalhos inviabilizada e a migração para outros países como a única alternativa possível para fugir dessa realidade lamentável. Logo, é inaceitável que o baixo incentivo financeiro ao mercado tecnológico continue a prejudicar a sociedade.
Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para combater esses obstáculos. Para isso, o Governo Federal, por meio do Tribunal de Contas da União, deve disponibilizar mais verbas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, este precisa mediar mais relações entre as faculdades nacionais e empresas, com estímulos financeiros e isenções fiscais, respectivamente, com o fito de propiciar a transição desses profissionais das salas de aula para o mercado de trabalho de maneira rápida e eficaz. Assim, além de diminuir os índices de fuga de cérebro, beneficiando a economia e qualidade de vida do país, a sociedade poderia alcançar a coletividade utópica idealizada por More.