Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2021

O pintor Pablo Picasso, na obra ”Guernica", apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando uma ideia de esperança diante de um cenário de explosão por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e a fuga de cérebros no Brasil, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o ”florescimento" de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível a análise dessa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se apresentado negligente ao permitir essa fuga. Isso porque existe uma falha no processo de aplicação das leis existentes, visto que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê uma oferta de emprego para idade e condições aptas para exercer sua profissão, como exemplo, para os profissionais formados em Tecnologia da Informação (TI) , violando, assim, o seu direito ao trabalho e, por consequência, provocando a ida destes para outros países em busca de evitarem ficar desempregados. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos, o que se configura como um rompimento do contrato social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes.

Ademais, evidencia-se que aceitar essa fuga é banalizar ou mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia perante a ausência de investimento financeiro estatal, posto que faltam verbas para aprimorar os recursos necesários, como laboratórios e computadores, para desenvolver pesquisas mais promissoras nas universidades públicas, o que dificulta a permanência em território nacional de estudantes e trabalhadores que planejam se especializarem nessa área. Recorrendo aos estudos da filósofa Hannah Arendt para explanar essa situação, constata-se que, devido a um processo de massificação cultural, a sociedade tem perdido a capacidade de discernir o certo do errado.

Ressalta-se, portanto, que a fuga de cérebros deve ser superada. Para isso, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a aplicação da legislação vigente, priorizando estimular as empresas estáveis ​​economicamente, por exemplo, como especializar em TI, a ampliar as vagas de funcionários, a fim de que os profissionais do ramo têm seu direito ao trabalho garantido e não precisem ir para países estrangeiros em busca de emprego. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada diante da fuga, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente, para melhorar os equipamentos e ambientes das pesquisas universitárias,com o objetivo de promover a permanência de pesquisadores e estudantes dessa área no país e gerar resultados mais eficientes para as pessoas.