Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 29/05/2021

De acordo com o filósofo e educador Paulo Freire, as transformações eclodidas em uma sociedade partem do princípio da educação, uma vez que esta possui a capacidade de desenvolver senso crítico e o intelecto dos indivíduos. Sob esse viés, destaca-se a importância da educação nas metamorfoses sociais. Em contrapartida, as políticas brasileiras vêm contribuindo para a mutilação desse sistema educacional, onde observa-se uma exponencial fuga de cérebros, isto é, uma saída de indivíduos para o exterior em busca de oportunidades no campo científico, em virtude da ausência de recursos e investimentos governamentais, que configuram uma problemática para o país.

Em primeiro plano, é indubitável a importância que o campo científico possui no cenário mundial, visto que os países que investiram em ciência e tecnologia conseguiram avançar em crescimento econômico e lograram conquistas sociais. Como resultado desse processo destaca-se a ascensão dos Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial, que passou a ser o maior país produtor de conhecimento técnico-científico através de tecnopólos, isto é, centros de pesquisas e desenvolvimento tecnológico. Sob esse viés, os tecnopólos no Brasil são as universidades. Entretanto, elencada tamanha importância, evidencia-se uma precariedade de recursos nesse âmbito, como a ausência de laboratórios qualificados para pesquisas, carência de tecnologias de ponta e escassez de mercado de trabalho. Dessa forma, tal problemática culmina no desencanto de pesquisadores, gerando, assim, uma diáspora para países que os valorizem, fortalecendo um apagão científico no Brasil.

Ademais, o art. 218 da Constituição confere a atuação do Estado na promoção e incentivo do desenvolvimento científico e capacitação tecnológica. No entanto, na prática isso não vem acontecendo. De acordo com a revista Super Abril, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) só disponibilizará 396 das 3080 bolsas aos doutorandos e pré-doutorandos, reflexo de cortes feitos pelo governo na educação. Desse modo, o incessante ataque do Governo Federal às universidades inviabiliza a formação desses indivíduos, que contam com as bolsas de estudo para a subsistência. Em suma, a ausência de incentivo governamental leva o Brasil para uma inércia social e científica.

Portanto, fica evidente os prejuízos que a evasão de cerébros pode causar ao Brasil. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação o aumento de investimentos nas universidades, oferencendo laboratórios mais equipados e dispondo um maior número de bolsas, a fim de buscar um maior interesse dos invíduos, contribuindo para o desenvolvimento do país através da atuação destes. Dessa forma, a sociedade brasileira gozará da transformação estabelecida por Paulo Freire.