Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 07/07/2021
Diante da pandemia da Covid-19, mais do que nunca, pôde-se observar a importância dos cientistas, pois foi por meio deles que as nações desenvolveram diversas vacinas, em tão pouco tempo, como medida de combate a essa doença. Contudo, o Brasil não obteve esse sucesso, visto que a fuga de cérebros está cada vez mais constante no país. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a falta de investimentos no ensino superior e impactos no mercado de trabalho são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que o “exílio científico” persiste intimamente relacionado à lógica capitalista. Nesse sentido, na busca de minimizar os gastos públicos, o governo deixa de investir em bolsas de pesquisas destinadas aos pós-graduandos, de modo a submetê-los à procura de oportunidades de continuarem seus estudos em outros países. Prova disso é que, segundo o site “CNN Brasil”, houve um corte de, aproximadamente, 20% da verba reservada às Universidades Federais, as quais são as maiores responsáveis por gerar o desenvolvimento do país no que tange a criação de tecnologias e inovações. Tal realidade vai contra o Artigo 218 da Constituição Federal, o qual visa garantir o avanço científico, de forma a demonstrar a urgência de medidas para sanar tal problemática.
É válido ressaltar, ainda, que com a ascensão da Terceira Revolução Industrial, o meio técnico-científico-informacional consolidou-se e a mão de obra deixou de ser especializada e passou a ser qualificada. No entanto, observa-se, no Brasil, a contínua emigração desses profissionais, os quais não encontram condições de trabalho favoráveis, de maneira a serem desvalorizados, seja pelos salários baixos ou pela falta de vagas de emprego. Tal contexto é ilustrado pelos dados do site “Veja”, os quais apontam que o Estado brasileiro importa 20 bilhões de dólares em bens tecnológicos, dinheiro esse que poderia ser investido na produção nacional para alavancar a contratação de trabalhadores. Por essa razão, urge a necessidade de ações governamentais efetivas para atenuar essa adversidade.
Evidencia-se, portanto, os inúmeros fatores que levam à diáspora de cérebros. Para contrapor as situações, cabe ao Poder Executivo, em ação conjunta ao Poder Legislativo, garantir os direitos dos cientistas e pesquisadores, por meio de incentivos financeiros, os quais darão suporte econômico aos seus estudos, com a finalidade de reduzir a evasão de estudantes para outros países. Outrossim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve valorizar os profissionais qualificados, por intermédio de acordos com empresas tecnológicas, as quais receberão subsídios fiscais, a fim aumentar o número de ofertas de empregos de qualidade. Destarte, será possível conter tais impasses, à medida que os direitos constitucionais dos brasileiros serão reafirmados.