Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 07/09/2021
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os cidadãos o direito ao progresso e ao bem-estar social. No entanto, percebe-se que esse pressuposto não é empregado adequadamente no país, em razão da fuga de cérebros, o que configura um problema a ser resolvido. Com efeito, há de se examinar não somente a inoperância governamental no que tange ao direcionamento de recursos, mas também a falta de comprometimento das instituições midiáticas como fatores ligados à problemática em questão.
Primeiramente, cabe destacar que o progresso é um direito assegurado constitucionalmente a todos os cidadãos brasileiros. Nesse viés, é pertinente trazer o discurso do escritor Gilberto Dimenstein, de seu livro “Cidadão de papel”, no qual ele conceitua os cidadãos de papel — indivíduos cujos direitos constitucionais não são garantidos na prática. Dessa forma, depreende-se que a baixa destinação de verbas oferecidas pelo Estado fere os direitos da parcela da população que não tem como bancar o desenvolvimento de sua pesquisa com finalidade para a população no geral, deixando-os na condição inaceitável descrita por Dimenstein.
Outrossim, a omissão da mídia quanto a falta de incentivos na ciência do país ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. O filósofo Foucault, defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Por essa ótica, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre o descaso com os pesquisadores no Brasil, acaba contribuindo com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a importância do incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias nacionais, influenciando na consolidação do problema, cuja base é o silenciamento midiático de uma situação a qual está tão presente na sociedade e que precisa cessar.
Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com pesquisadores, com o objetivo de mostrar as reais consequências da baixa destinação de verbas à pesquisa, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores que é um direito público esse setor. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Governo Federal deve destinar mais dinheiro para as faculdades que tiverem setores para pesquisas. Desse modo, será garantido o direito universal promulgado pela ONU.