Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/10/2021

O projeto de modernização japonesa, conhecido como Revolução Meiji, teve como importante pilar a educação. Em meados do século XIX, jovens japoneses estudaram nas principais universidades do ocidente, custeados pelo Japão, desde que voltassem sua inteligência à modernização nacional. Apesar de eficaz no arquipélago asiático, o modelo de investimento não reflete a realidade do Brasil, uma vez que há uma crescente fuga de cérebros – isto é, pessoal especializado. Isso ocorre porque o Estado brasileiro não gera empregos para tal parcela da população e nega a importância do intercâmbio de universitários para o exterior.

Inicialmente, a ausência de empregos é um dos principais motivos para a emigração. Durante os governos Lula, a quantidade de jovens que ingressaram e concluíram os estudos nas universidades inflou significativamente. No entanto, um levantamento realizado pela consultoria IDados no primeiro trimestre de 2020 constatou que 40% dos brasileiros entre 22 e 25 anos que possuem ensino superior completo estão em ocupações que não exigem faculdade. Assim, pode-se inferir a respeito da falta de opções para profissionais qualificados, o que incita o desejo da mudança de país, onde exercem profissões referentes aos cursos realizados após demasiado empenho.

Em segundo plano, apesar da educação superior exemplar oferecida no Brasil, a nação seria ainda mais beneficiada com a possibilidade de estudos fora do país. Nesse âmbito, o livro “Feminismo no Exílio” trata dos relatos de mulheres exiladas no período brasileiro da Ditadura Militar e sobre a forma que os movimentos feministas europeus, principalmente, influenciam tais movimentos nacionais, quando essas brasileiras retornam ao país. Não só as feministas como também os japoneses se fazem prova do enriquecimento que tal mudança traz à nação mater. Logo, entende-se que ao enviar jovens à emigração estudantil temporária, estes retornariam com potencial de fortalecer os aspectos culturais, educacionais e artísticos de sua terra natal, e igualmente o âmbito industrial e desenvolvimentista.

Por fim, ao examinar o panorama, faz-se necessária a intervenção estatal que solucione o entrave lidado pela exportação de inteligência brasileira. Então, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) reintegrar às universidades o “Ciências Sem Fronteiras” (programa que enviava alunos do ensino superior brasileiro para faculdades estrangeiras) mediante investimento financeiro do Governo Federal, além de efetuar convênios com empresas estatais e privadas para que esses jovens tenham emprego – portanto, um incentivo – ao retornar à pátria-mãe, objetivando extinguir a fuga de cérebros do país ao estabelecer um terreno estável aos estudiosos. Dessa forma, o Brasil expandirá seu potencial de desenvolvimento, tal qual o Japão do século XIX.