Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 16/09/2021

Em 2021, a “Plataforma Lattes”, principal banco de dados sobre a produção científica no Brasil, sofreu um apagão devido a uma falha do sistema. Esse evento é a materialização dos motivos que têm fomentado um crescente movimento migratório de cientistas brasileiros para países onde há um maior estímulo à produção científica. Nesse sentido, a contenção da crescente fuga de cérebros no Brasil tem sido desafiador em decorrência da falta de investimento público e no silenciamento acerca da ciência no país.

Fundamentalmente, os cientistas brasileiros têm emigrado do país por conta da negligência do Estado em financiar adequadamente a produção cientifica nacional. À luz dessa situação, a CNPQ, agência de incentivo à pesquisa no Brasil, oferece uma bolsa de baixíssimo valor aos pesquisadores e os impede de ter outra fonte de renda, além de financiarem projetos com valores aquém da capacidade de se desenvolverem em sua total capacidade. Assim, aqueles que produzem ciência se veem em um cenário de desvalorização crônica, com um desmonte crescente das universidades públicas e dos meios de produção científica. Diante disso, não encontram outro meio, se não a emigração, para continuarem produzindo ciência de maneira eficiente.

Além disso, a mudança do atual cenário emigratório de profissionais brasileiros é um desafio em decorrência da falta de debate público sobre a importância da pesquisa para o país. De acordo com Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma visão determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nessa perspectiva, a falta de conhecimento da população geral acerca da dimensão dos efeitos deletérios desse movimento emigratório faz com que não se discuta sobre a negligência do Estado em fornecer meios adequados de produção de conhecimento no Brasil. Ou seja, esse silenciamento gera um consequente vazio de pressão pública para uma mudança de posição do governo, condição que perpetua cenário de precarização da ciência e dificulta a permanência de pesquisadores no Brasil.

Portanto, para que se supere a crescente fuga de cérebros no Brasil, medidas são necessárias. Faz-se necessário, pois, que o MEC, em parceria com a CNPQ, desenvolvam uma “semana de introdução à ciência. Essa ação deve ser feita por meio de palestras para alunos de terceiro ano, e devem os informar sobre os impactos que a produção científica tem pra o desenvolvimento nacional e quais são os seus principais entraves enfrentados. Essa medida tem por finalidade formar cidadãos que entendam os impactos do desmonte da ciência para que assim cobrem dos poderes públicos um maior estímulo aos cientistas e seus projetos de pesquisa.