Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Na Europa do século XII, auge da Idade Média, surgiram as primeiras universidades financiadas pela burguesia, que deram início a uma série de transformações na região e, posteriormente, propiciaram as Revoluções Industriais. Apesar de datar de séculos passados, esse exemplo não é pelo Brasil, ao insistir em sucatear o ensino e pesquisa acadêmica nacional, o que ocasiona no fenômeno da fuga de cérebros. Nesse sentido, a omissão estatal e o preconceito interno de parte da população são fatores que auxiliam o crescimento desse óbice. Urge, destarte, que uma discussão seja feita acerca da falta de investivementos à pesquisa brasileiro para que esse cenário negativo não mais seja a realidade.

Mormente, a omissão do governo quanto ao estímulo da produção científica no Brasil é uma peça-chave para a estagnação desse setor no país. Sob essa lógica, o Estado age como uma Instituição Zumbi - termo posto pelo teórico Zygmunt Bauman para instituições que mantêm sua forma, mas perdem sua função - ao não investir na produção técnico-científica que traria avanços para a coletividade. Nessa perspectiva, o governo não fomenta medidas suficientemente efetivas para a consolidação de profissionais de alta escolaridade no país, como o financiamento dos projetos e infraestruturas universitárias de qualidade, o que torna esse setor estagnado e obriga os pesquisadores a saírem do país. É inquestionável, portanto, que a sociedade é lesada com essa postura negligente.

Outrossim, o preconceito e a discriminação com as produções brasileiras no âmbito acadêmico e industrial por parte da própria população, proganiza outro entrave para a mitigação do problema. Tal pensamento remonta, ainda, a era monárquica brasileira, em que os produtos importados da Inglaterra eram preferidos em detrimento ao mercado interno. Nesse quadrante, ainda nos dias de hoje, tudo que é desenvolvido e produzido nacionalmente é parcialmente rejeitado por parte da população por não confiarem no que é produzido localmente. Observa-se, além disso, o impasse imposto aos profissionais brasileiros: permanecer no Brasil e ter sua carreira precarizada ou abandonar a nação e investir em outra parte do mundo, o que prejudica o desenvolvimento do território verde-amarelo.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para estimular a permanência desses profissionais. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, mediante verbas governamentais, ampliar as bolsas de pesquisa já existentes e garantir o estabelecimento de novas vagas esporadicamente, além da melhoria da infraestrutura universitária, como laboratórios, a fim de reduzir a taxa de fuga de cerébros e impulsionar o desenvolvimento da nação. Feito isso, poder-se-á observar o país em progresso e, assim como a Europa, o Brasil será um exemplo a ser seguido.